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Antes de testar a terapia, Russo induziu a asma em camundongos para avaliar suas reações. Ele injetou uma proteína do ovo (a ovoalbumina) misturada com hidróxido de alumínio, substância que direciona a reposta imunológica para um padrão do tipo Th2. Com isso, o sistema imunológico do animal passou a reagir com a ovoalbumina -- e ele ficou alérgico a essa proteína. O procedimento foi feito duas vezes com intervalos de sete dias. No 14º e no 21º dia, os camundongos inalaram ovoalbumina para desencadear a asma -- constatou-se que todos os animais haviam desenvolvido a doença.
O passo seguinte foi submeter os camundongos ao novo tratamento antes de repetir a indução à asma. Por cinco dias seguidos, 1% de ovoalbumina foi misturada à água dos animais. Seu sistema de defesa se acostumou a proteína e passou a reconhecê-la como um elemento normal da alimentação. Os camundongos não desenvolveram a asma quando o processo de indução foi repetido.
Russo repetiu o procedimento três vezes diferenciando a data do início do tratamento. Quando o camundongo recebeu a proteína no dia do primeiro procedimento que o tornou alérgico à substância, o êxito continuou total; quando ele a ingeriu no dia da segunda indução, reduziu-se o processo alérgico. Os camundongos ainda beberam a água com ovoalbumina logo após se tornarem alérgicos à proteína; nesse caso, houve piora da doença.
Se a proposta de desativar o processo alérgico for tão eficaz em seres humanos quanto em camundongos, será possível criar um tratamento oral que bloqueie a asma em filhos de asmáticos (crianças predispostas). "Não se sabe no entanto se o tratamento dará certo em humanos", pondera Russo. "Ainda não se conhecem os mecanismos naturais do organismo que condicionam o sistema imunológico a desativar o processo alérgico."
Sarita Coelho
Ciência Hoje on-line
14/11/01