Embora tenha sido objeto de poucos estudos científicos, a biodiversidade do cerrado é bem conhecida pelos indígenas da região. Eles usam 164 espécies vegetais nativas com fins medicinais, das quais 138 afetam provavelmente o sistema nervoso central. Onze já foram estudadas cientificamente e duas apresentaram efeitos confirmados em animais de laboratório com a mesma finalidade empregada pelos indígenas.
Orientada no doutorado pelo médico Elisaldo Carlini, a bióloga Eliana Rodrigues, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), participou de um estudo pioneiro com os índios Krahô, no Tocantins. Por dois anos a pesquisadora acompanhou a atividade de sete xamãs -- índios que tratam os doentes -- para mapear o uso de plantas nativas.
A pesquisa se concentrou nas 138 espécies que aparentemente atuam sobre o sistema nervoso central e são a base de 298 receitas para 51 males de saúde. As espécies foram divididas em 14 categorias, das quais cinco serão objeto de estudos: as analgésicas, emagrecedoras, hipnóticas, 'resistógenas' (que aumentam a resistência física) e aquelas que atuam sobre memória e aprendizagem.
O estudo tenta confirmar em laboratório a eficácia das plantas utilizadas em crenças rituais pelos Krahô. Os ensinamentos sobre plantas são transmitidos ao wajacá (lê-se uaiacá) por um guia espiritual, o pahi (parrí). Como a religião Krahô admite que todos os seres possuem alma, o pahi pode ser uma planta, animal ou mineral. As gerações antigas também ensinam sobre as plantas e, como os Krahô descendem de múltiplas etnias, são encontradas muitas diferenças entre os procedimentos de wajacás da mesma aldeia, que não trocam informações entre si.
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Os índios associam o costume de mascar plantas ao fortalecimento para as corridas em revezamento com tora de buriti (madeira nativa), que não têm conotação de esporte, mas conferem status social aos vencedores | | |