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Cigarro eleva batimentos cardíacos em fetos e gestantes
Concentração de nicotina no sangue do bebê é 15% superior à da mãe
O consumo de apenas um cigarro de baixo teor de nicotina ao dia provoca alterações na dinâmica sangüínea de fetos e gestantes, concluiu pesquisa do Instituto de Cardiologia do Rio Grande do Sul publicada em fevereiro na revista Arquivos Brasileiros de Cardiologia. Os efeitos imediatos do fumo durante a gravidez incluem aumento de pressão sangüínea da mãe, redução do fluxo sangüíneo nas artérias uterinas e aumento do ritmo de batimentos cardíacos em fetos e gestantes.
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"Fumar na gravidez prejudica o bebê" - uma das 8 fotos veiculadas desde fevereiro de 2002 por determinação do Ministério da Saúde no verso dos maços de cigarro produzidos no Brasil (reprodução / Inca) | | |
A equipe de Paulo Zielinsky, chefe da Unidade de Cardiologia Fetal, observou 21 grávidas sem fatores de risco com idade média de 22 anos que se encontravam entre a 18ª e 36ª semanas de gravidez. Todas eram fumantes crônicas e foi pedido que consumissem apenas um cigarro de baixos teores no dia do exame, com composição média de 0,5 mg de nicotina e 6 mg de monóxido de carbono. Imediatamente antes e depois de fumar, após 12 horas de abstinência, as gestantes foram submetidas a exames de ultra-sonografia e ecocardiografia fetal.
Na mãe, foi constatado aumento da pressão sangüínea sistólica (impulsionada pela contração do coração) e diastólica (associada à dilatação do músculo). A pressão sistólica média verificada nas gestantes foi mantida em 120 milímetros de mercúrio (mmHg). Já a pressão diastólica foi elevada de 65 para 70 mmHg. O fluxo de sangue nas artérias uterinas foi reduzido, o que gera condições inadequadas para a saúde do feto. "Ocorre o mesmo que em gestantes com hipertensão", esclarece Zielinsky. O fluxo de sangue foi reduzido de 2,32 para 1,98 na artéria uterina direita e de 2,19 para 1,90 na esquerda.
Não é possível mensurar a pressão sangüínea do feto, mas foi constatado aumento na freqüência de seus batimentos cardíacos -- a exemplo do que se verificou para as gestantes. Na mãe, foi verificado aumento médio de 80 batimentos por minuto (bpm) para 92. No feto, o aumento foi de 137 para 147 bpm.
O objetivo de pesquisar o consumo de apenas um cigarro diário de baixo teor era definir os prejuízos mínimos do fumo para a gestante e o feto. "Se houvesse alterações para pequenas doses de nicotina, como foi observado, já saberíamos que doses maiores seriam ainda mais prejudiciais", avalia o pesquisador.
O estudo considerou apenas os efeitos imediatos do fumo sobre a gravidez. A nicotina é a droga mais usada durante a gestação e está associada a nascimentos prematuros, baixo peso dos bebês e alterações no sistema respiratório da criança após o nascimento. A nicotina atinge o feto por meio da placenta e se concentra no sangue da criança em níveis cerca de 15% superiores àqueles constatados na gestante. Além disso, a substância é transferida para o leite materno.
No prosseguimento do estudo, deve ser observado o efeito imediato de quantidades crescentes de nicotina sobre fetos e gestantes. Zielinsky pretende dividir as voluntárias em grupos que consumam cigarros com e sem nicotina, o que determinaria um controle que não foi possível no presente experimento.
Raquel Aguiar Ciência Hoje on-line 16/04/02 |