As pesquisadoras já registraram a substância no Tratado de Cooperação de Patentes, que cobre 122 países e assegura, por um ano, a propriedade do ácido e do seu uso em tratamentos de câncer. Após esse período, será necessário entrar com o pedido definitivo. A UFRJ ficará com 70% dos recursos gerados, enquanto os 30% restantes serão divididos entre as cientistas.
Os próximos passos da pesquisa incluem testes de toxicidade em camundongos e a síntese artificial do ácido, já que o processo de purificação a partir do abajeru produz pouca quantidade. Como essas etapas são caras, a idéia é estabelecer um acordo com uma indústria farmacêutica, melhor equipada para esse tipo de tarefa.
As cientistas lembram que, apesar dos resultados encorajadores, a pesquisa está em uma fase preliminar e testes em humanos ainda vão demorar. Além disso, o ácido pomólico só pode ser extraído do abajeru com processos complexos. "O chá do abajeru não contém o ácido e bebê-lo pode até ser prejudicial", alerta a bióloga Janaína Fernandes, aluna de doutorado de Gattass.
Fred Furtado
Ciência Hoje/RJ
18/11/03