ou para desenvolvimento de novos quimioterápicos capazes de inibir esse mecanismo de ação e que sejam menos tóxicos para o paciente.
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O Trypanosoma cruzi é o agente causador da doença de Chagas (imagem: Laboratório de Bioquímica de Parasitas/ USP) | | |
É a segunda vez que uma brasileira está entre as ganhadoras desse prêmio. "Levei um susto, não acreditei quando o Günter Blobel [vencedor do Nobel de Medicina em 1999] me ligou", conta Lucia. O cientista fez parte da comissão julgadora do prêmio, da qual também participou a geneticista Mayana Zatz, a outra brasileira que levou o prêmio, em 2001.
Em sua sexta edição, o prêmio é oferecido pela fabricante francesa de cosméticos L’Oréal e pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco). Ele é entregue a cinco cientistas, uma de cada continente, com o objetivo de destacar e estimular a contribuição das mulheres para a ciência. Em 2004, a premiação destina-se a trabalhos inovadores em ciências da vida.
As outras ganhadoras da edição de 2004 do Prêmio L’Oréal-Unesco são a sul-africana Jennifer Thomson, da Universidade da Cidade do Cabo, a chinesa Nancy Ip, da Universidade de Ciência e Tecnologia de Hong Kong, a francesa Christine Petit, do Instituto Pasteur, e a norte-americana Philippa Marrack, do Instituto Médico Howard Hughes.
Formada em Ciências Biológicas pela Universidade Santa Úrsula em 71, Lucia Mendonça-Previato ingressou na UFRJ, em 70, como estagiária em microbiologia. Lá, terminou, em 76, doutorado na mesma área e partiu para o pós-doutorado em química de carboidratos, no Canadá, e em glicobiologia, nos EUA.
Previato investirá parte do dinheiro no Laboratório de Glicobiologia da UFRJ, que ela coordena, e dará continuidade ao estudo feito ao lado de sua equipe, formada por José Osvaldo Previato (seu marido), Norton Heise e Adriane Todeschini. Ela considera o prêmio importante para o Brasil, para UFRJ e para incentivar a ciência como um todo -- independentemente de ser praticada por estudantes, mulheres ou homens. "Nunca tive problema no meio científico por ser mulher", conta. "Acho que a mulher está conquistando seu espaço e respeito."
Renata Moehlecke
Ciência Hoje On-line
Com reportagem de
Carla Almeida e Daniela Oliveira
Jornal da Ciência
08/03/04