Em 15 de outubro de 1586, a rainha católica Maria Stuart, da Escócia, foi julgada por traição contra a coroa britânica. Ela tinha esperanças de sair viva: a única prova de seu envolvimento na conspiração feita para matar a rainha Elizabeth, da Inglaterra, era uma série de cartas que tinha trocado com outros católicos enquanto estava presa. As cartas foram escritas em código -- que Maria julgava 'inquebrável'. Estava enganada. A espionagem inglesa havia interceptado as cartas e decifrado seu conteúdo. Resultado: cerca de quatro meses depois, Maria foi decapitada no castelo de Fotheringhay.
A rainha da Escócia não foi a primeira vítima -- muito menos a última -- da confiança excessiva em um código: a lista é imensa. A História das mensagens cifradas é o tema de O livro dos códigos, do físico inglês Simon Singh.
O desenvolvimento das cifras, diz Singh, foi motivado pelo medo que reis, rainhas e generais tinham de ver suas mensagens secretas lidas por inimigos. Vem daí a necessidade de se codificar a linguagem, para que apenas o destinatário tenha a chave para decifrá-la. Mas a vontade de desvendar um segredo é tão grande quanto a de criá-lo: cada evolução nas técnicas de cifragem é acompanhada por evolução semelhante nos mecanismos de decifragem.
A luta de gato e rato entre os criadores de cifras (criptologistas) e os decifradores (criptoanalistas) é rodeada de segredos. Em alguns casos, não seria exagero supor que essa luta definiu os rumos da História. Na Primeira Guerra, os ingleses interceptaram e decifraram um