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 NOTÍCIAS :: IMUNOLOGIA

Vacina bacteriana contra a Aids
Nova abordagem deve ser testada nos próximos dois anos

Uma nova forma de combate ao vírus da Aids está sendo desenvolvida nos Estados Unidos. Os pesquisadores George Lewis e David Hone, do Instituto de Virologia Humana de Baltimore, são os responsáveis pela criação de uma vacina que pretende reduzir a propagação do vírus HIV. Robert Gallo, diretor do Instituto, planeja a realização de testes em sua própria cidade e em Uganda, na África, nos próximos dois anos. Diferentemente das vacinas contra a doença testadas até aqui, esta será ministrada por via oral, que permite uma aplicação mais prática e econômica. Mas o princípio permanece o mesmo: ela usa como vetor uma forma enfraquecida de uma bactéria, incapaz de provocar doenças. Neste caso, foi escolhida uma cepa da Salmonella typhi, encontrada em alimentos estragados.

A bactéria Salmonella typhi é o vetor usado na nova vacina

Na vacina, a bactéria é o vetor de genes do HIV que comandam a síntese de uma proteína produzida pelo vírus chamada gag, além de fragmentos de várias outras proteínas virais. Após invadir uma célula humana, a membrana da bactéria se rompe e libera o material genético do HIV, que posteriormente é transcrito e replicado na célula hospedeira. Ali, as proteínas do vírus começam a ser produzidas e desencadeiam a resposta imune. Esta consiste não em produzir anticorpos contra o HIV, mas em deixar as células de defesa em estado de alerta para reconhecer e destruir células contaminadas pelo vírus.

Depois de mais de uma dezena de tentativas frustradas de elaboração de vacinas contra o HIV, Robert Gallo espera que a abordagem bacteriana seja eficaz. Os estudos preliminares não apontam contra-indicações e mostram que a vacina estimula respostas imunes satisfatórias em mucosas, o que seria fundamental para a contenção da transmissão heterossexual da Aids. A abordagem tem sido recebida pelos especialistas com otimismo moderado. Amílcar Tanuri, do Departamento de Genética da Universidade Federal do Rio de Janeiro, aprova a iniciativa, mas lembra que, caso funcione, ela não deve curar a doença. "A vacina não vai impedir a transmissão do vírus, mas apenas fazer com que ele se propague mais lentamente."

Leonardo Cosendey
Ciência Hoje/RJ

 

 
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