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 NOTÍCIAS :: IMUNOLOGIA

Vacina contra o melanoma
Tratamento é desenvolvido a partir das células tumorais de cada paciente

O melanoma é a espécie mais agressiva de todos os cânceres de pele, responsável pela morte de 98% de seus portadores em estágios avançados. Como forma de criar novas alternativas de tratamento, há dois anos está sendo desenvolvido um estudo no Hospital do Câncer, em São Paulo (SP). Previsto para terminar em 2003, ele consiste no uso de uma vacina contra o tumor, que pode conter seu avanço e até fazê-lo regredir. É uma iniciativa inédita, e os resultados são julgados satisfatórios por enquanto. "Se considerarmos que apenas 2% têm chance de sobreviver, a resposta de 15% ao tratamento é muito boa", considera Débora Castanheira, responsável pelo estudo.

Nova vacina provocou regressão de tumores em pacientes com melanoma

O objetivo do tratamento é ativar uma resposta imunológica mais expressiva nos pacientes da doença. Inicialmente, algumas células de tumores em metástase são retiradas, o suficiente para a obtenção do material necessário para a aplicação de seis doses da vacina. Elas são, em seguida, submetidas a um tratamento quimioterápico para a atenuação de sua ação cancerígena e inoculadas novamente no organismo. Os antígenos que contêm são reconhecidos pelo sistema de defesa, que então desencadeia uma ação ofensiva contra o tumor. A terapia pode ser aplicada a todos os tipos de câncer. Entretanto, por ser desenvolvido a partir de células do próprio paciente, é um tratamento muito específico para cada um, e não pode ser produzido em larga escala.

O estudo traz esperanças para o tratamento de pacientes de melanoma, mas Débora faz questão de frisar que não está desenvolvendo a cura para a doença. "O remédio definitivo para o câncer não vai ser produzido tão cedo", adverte. Mesmo assim, já há notícias de grandes melhoras em seus pacientes. Ela cita o caso de um senhor de 79 anos, já em metástase, que não respondia a nenhuma terapia. Após o uso da vacina, o tumor regrediu e ele leva uma vida saudável já há 20 meses. Se o tratamento será adotado amplamente como alternativa para os pacientes de câncer, ainda não se sabe. Apenas em 2003, com a conclusão do estudo, será definido se seu desenvolvimento é um bom investimento.

Leonardo Cosendey
Ciência Hoje/RJ
17/07/00

 

 
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