O carrapato que ataca os bovinos (Boophilus microplus) é responsável por um prejuízo anual de US$ 1 bilhão para a economia brasileira. O ataque desses aracnídeos na bovinocultura diminui a produção de leite e o valor comercial do couro pelas marcas deixadas, além de poder provocar doenças sérias nos animais, como a babesiose. Para minimizar o problema, pesquisadores da Universidade Federal de Viçosa (UFV) desenvolveram a primeira vacina sintética para imunizar os rebanhos brasileiros contra a praga.
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Quando ataca uma vaca, o Boophilus microplus diminui sua produção de leite em 8,9 mililitros por dia | | |
A vacina estimula o sistema imunológico dos bois a criar anticorpos. Quando os carrapatos sugam o sangue dos bovinos, absorvem também os anticorpos, que destruirão as membranas de células de seu sistema digestivo, prejudicando a digestão do sangue consumido. A vacina impede também a reprodução dos aracnídeos, pois o sangue bovino é fundamental para o amadurecimento dos ovos.
A nova vacina chega para substituir as técnicas usadas atualmente para combater os carrapatos, que são a aplicação de carrapaticidas nos rebanhos e as vacinas recombinantes. A primeira pode ser tóxica para o meio ambiente, os homens e os próprios animais, além de poder tornar os insetos resistentes ao veneno com o uso indiscriminado. As vacinas recombinantes são caras e não têm a mesma eficácia, já que foram produzidas por pesquisadores de outros países para rebanhos que não têm as mesmas características dos bovinos brasileiros.
"A vacina sintética, além de ser mais fácil de produzir, pois não necessita de meios de cultura, como as recombinantes, é mais barata e tem um alto grau de pureza, sem contaminantes protéicos", explica Joaquim Hernán Patarroyo, coordenador da equipe que desenvolveu o produto. Os testes em bois das raças Jersey, Holandês e Hereford comprovaram que a nova vacina tem uma eficiência de 80% na eliminação das populações de carrapatos.
A pesquisa foi desenvolvida pelo Instituto de Biotecnologia Aplicada (Bioagro) da UFV com a cooperação do Instituto de Imunologia do Hospital de San Juan de Diós, em Bogotá (Colômbia), e o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig). Os cientistas esperam agora o interesse de empresas para produzir e comercializar a vacina em grande escala.
Pedro Lent
Ciência Hoje/RJ
14/09/00