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Vacina pioneira contra esquistossomose
Produto é desenvolvido a partir da técnica de DNA recombinante
A primeira vacina contra a esquistossomose, produzida a partir do isolamento e clonagem de proteínas do parasita Schistosoma mansoni, pode abrir portas para o desenvolvimento de produtos semelhantes para outras doenças parasitárias. Desenvolvida por pesquisadores da Fiocruz, a vacina foi testada com sucesso em exames com cobaias de laboratórios. O teste em humanos, já aprovado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), depende apenas da produção de lotes com características adequadas para a aplicação em voluntários.
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A esquistossomose, causada pelo Schistosoma mansoni, atinge 200 milhões de pessoas em todo o mundo | | |
Conhecida como barriga d'água, a esquistossomose atinge 200 milhões de pessoas em todo o mundo. Ela se desenvolve a partir da penetração do Schistosoma nas veias do fígado e intestino humanos. Os ovos das fêmeas são expelidos com as fezes e, em contato com a água, liberam os miracídios - larvas que infectam o caramujo planorbídeo para se reproduzirem. Elas saem do animal já transformadas em cercárias, forma pela qual têm condições de penetrar na pele de quem entra em contato com a água contaminada. Isso explica o fato de a doença se alastrar em áreas carentes em saneamento.
Para elaborar a vacina contra a moléstia, os pesquisadores da Fiocruz isolaram e clonaram os genes do Schistossoma que codificam a síntese do Sm14 - antígeno capaz de induzir a produção de anticorpos que combatem a doença. Seu nome é proveniente das iniciais do verme e do número correspondente ao peso da molécula isolada. Em seguida, os cientistas criaram uma molécula recombinante, unindo essa seqüência de DNA a genes de bactérias que possibilitam o desenvolvimento do parasita.
Uma das vantagens das vacinas produzidas com a técnica de DNA recombinante, usada no produto elaborado pela Fiocruz, consiste na inoculação no organismo de apenas uma molécula. As vacinas anteriores continham centenas de moléculas que nem sempre eram conhecidas pelos cientistas. "Se as vacinas comuns conseguem trazer resultados positivos, esse novo tipo, superior em termos de controle e qualidade, pode surpreender ainda mais", garante Míriam Tendler, cientista que coordena pesquisa.
O processo permite a produção em larga escala. Testada em camundongos e coelhos, a vacina obteve entre 75 e 90% de eficácia. Vencida essa etapa, a OMS aprovou a fase seguinte - a dos testes clínicos -, que vai contar com o apoio do Instituto Butantan, em São Paulo. "Primeiramente, a vacina deve ser testada no país onde foi desenvolvida, para depois a eficácia ser avaliada em outras áreas endêmicas", explica Tendler.
Helena Aragão Ciência Hoje/RJ 21/09/00 |