SOMENTE NO ACERVO
DA REVISTA CH
 
   
   
   
   
   
   
   
 

 

 NOTÍCIAS :: IMUNOLOGIA

Alface transgênica pode se tornar vacina 
Pesquisadores desenvolvem vegetal que veicula antígeno contra a leishmaníase

Uma alface geneticamente modificada para ser usada como vacina contra a leishmaníase está sendo desenvolvida pela Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia e pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). A alface contém a proteína Lack, encontrada na Leishmania - gênero de protozoário que causa a doença. Embora o funcionamento dessa proteína não seja bem conhecido, sabe-se que ela é um potencial antígeno para a leishmaníase e pode impedir a reprodução do protozoário no organismo humano. Os antígenos foram clonados em vetores e transportados para as células da alface por meio de bactérias.

Protozoários do gênero Leishmania causam a leishmaníase, doença que afeta 12 milhões de pessoas no mundo

A etapa atual da pesquisa consiste em desenvolver as plantas de alface. Até o fim do ano, serão realizados testes de medição dos níveis de expressão dos antígenos, e só então serão realizados testes com camundongos. Segundo Elibio Rech, coordenador do laboratório da Embrapa que está desenvolvendo a alface transgênica, uma vacina só começa a ser testada em humanos em 10 ou 15 anos. "Primeiro, teremos que passar por etapas rígidas e termos evidências de que há resposta imunológica suficiente para acabar com a reprodução do patógeno." Os pesquisadores esperam que a alface produza uma resposta imunológica nas mucosas do trato intestinal e que estas possam induzir respostas em todo o organismo.

A alface foi escolhida para veicular o antígeno por se tratar de uma planta que cresce de maneira rápida

Caso sua capacidade imunológica seja comprovada, uma vacina em que os antígenos estivessem em alfaces beneficiaria sobretudo os países em desenvolvimento. "Ela poderia ser transportada até lugares longínquos, sem problemas de armazenamento", explica Rech. A alface foi escolhida como veículo para transportar o antígeno até o animal ou ser humano por crescer de maneira rápida e dispensar processos de transformação. Segundo Rech, a única desvantagem da alface é que, em geral, folhas não apresentam alto nível de proteína, o que poderia comprometer a resposta imunológica. "Nossa opção foi por produzir plantas rapidamente", explica. "Poderíamos utilizar a banana, mas ela leva três anos para crescer." Cogitou-se também o uso da soja, mas ela teria que ser transformada em pó. As proteínas poderiam ser perdidas durante o processo e o custo de produção seria mais elevado.

Paralelamente ao estudo do potencial das plantas como agentes de vacinação, a Embrapa desenvolve também biorreatores - plantas capazes de produzir em larga escala e de forma barata e segura substâncias interessantes para a indústria farmacêutica. Soja, tabaco e milho são utilizados na Embrapa em parceria com a Universidade de Campinas (Unicamp) para produzir insulina e hormônio do crescimento - que são 'fabricados' atualmente a partir de DNA recombinante em célula animal.

Mara Figueira
Ciência Hoje/RJ
04/10/00

 

 
  INÍCIO O INSTITUTO CH ON-LINE REVISTA CH CH DAS CRIANÇAS APOIO À EDUCAÇÃO CONTATO