Caso sua capacidade imunológica seja comprovada, uma vacina em que os antígenos estivessem em alfaces beneficiaria sobretudo os países em desenvolvimento. "Ela poderia ser transportada até lugares longínquos, sem problemas de armazenamento", explica Rech. A alface foi escolhida como veículo para transportar o antígeno até o animal ou ser humano por crescer de maneira rápida e dispensar processos de transformação. Segundo Rech, a única desvantagem da alface é que, em geral, folhas não apresentam alto nível de proteína, o que poderia comprometer a resposta imunológica. "Nossa opção foi por produzir plantas rapidamente", explica. "Poderíamos utilizar a banana, mas ela leva três anos para crescer." Cogitou-se também o uso da soja, mas ela teria que ser transformada em pó. As proteínas poderiam ser perdidas durante o processo e o custo de produção seria mais elevado.
Paralelamente ao estudo do potencial das plantas como agentes de vacinação, a Embrapa desenvolve também biorreatores - plantas capazes de produzir em larga escala e de forma barata e segura substâncias interessantes para a indústria farmacêutica. Soja, tabaco e milho são utilizados na Embrapa em parceria com a Universidade de Campinas (Unicamp) para produzir insulina e hormônio do crescimento - que são 'fabricados' atualmente a partir de DNA recombinante em célula animal.
Mara Figueira
Ciência Hoje/RJ
04/10/00