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Normalmente encontrada na pele, a S. aureus não provoca distúrbios em pessoas saudáveis. Porém, quando o sistema imunológico está enfraquecido, a bactéria pode causar uma série de doenças, como pneumonia e meningite. Em geral, essas infecções são tratadas com antibióticos, mas a S. aureus já desenvolveu resistência a drogas antes consideradas infalíveis.

 

 NOTÍCIAS :: IMUNOLOGIA

Novos aliados no combate à infecção hospitalar 
Cientistas brasileiros e americanos criam meios para eliminar bactéria oportunista

Pesquisadores americanos produziram uma vacina contra a bactéria Staphylococcus aureus, microrganismo responsável pela maioria das mortes por infecção hospitalar. Testada em pacientes submetidos à hemodiálise, a vacina diminuiu a incidência de infecções causadas pela bactéria, que já desenvolveu resistência a diversos antibióticos. No Brasil, também são realizados estudos com S. aureus. Em 2001, cientistas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFGRS), com a colaboração do Instituto Butantan, desenvolveram um soro que elimina o microrganismo de camundongos infectados.

A bactéria Staphylococcus aureus (acima) provoca graves doenças em pessoas com sistema imunológico enfraquecido

A S. aureus apresenta uma cápsula de açúcares que dificulta sua destruição pelo sistema de defesa do paciente. A equipe do médico John Robbins, do Instituto Nacional de Saúde Infantil e Desenvolvimento Humano, nos Estados Unidos, descobriu que, quando açúcares dessa cápsula são associados a determinadas proteínas, o sistema imunológico consegue eliminar o complexo formado. Essa combinação de açúcares e proteínas permitiu a síntese de uma vacina contra a bactéria. Quase 60% dos indivíduos já vacinados apresentaram níveis reduzidos de contaminação por S. aureus. Contudo, após 40 semanas, a quantidade de anticorpos contra a bactéria no sangue dos pacientes caiu rapidamente. Mais testes ainda precisam ser feitos e a vacina só deve chegar ao mercado em 2005.

"Enquanto a vacina americana age contra bactérias suscetíveis e resistentes a antibióticos, nosso soro ataca somente microrganismos que já não respondem às drogas", diz José Procópio Senna, pesquisador da UFRGS. Antes de fabricar o soro, os cientistas brasileiros desenvolveram uma vacina com moléculas de DNA. "Contudo, o uso desse tipo de vacina em humanos ainda não está liberado pelos órgãos de saúde", conta Senna.

A equipe gaúcha isolou um fragmento de DNA da bactéria que codifica uma região fundamental (centro ativo) para a atividade da enzima responsável pela resistência a certos antibióticos. Esse segmento de gene foi clonado em um plasmídeo -- estrutura que carrega um pedaço de DNA a ser introduzido em uma célula -- e inoculado em cavalos. Os eqüinos que receberam os plasmídeos não desenvolveram infecções, já que não foram injetados microrganismos inteiros e sim uma parte do gene da bactéria. As células dos cavalos começaram a produzir a região da enzima codificada por esse fragmento de DNA e o sistema imunológico dos animais passou, então, a fabricar anticorpos contra ela. O soro -- produzido com esses anticorpos -- foi aplicado em camundongos contaminados por S. aureus resistentes. Em três dias, as bactérias já haviam sido eliminadas dos animais. No entanto, ainda não foram realizados testes em humanos.

O soro não é uma medida profilática contra a S. aureus. "Ele só deve ser aplicado em animais já doentes", diz Senna. "A vacina americana também só deve ser usada em pacientes que correm o risco de desenvolver infecções, como pessoas que serão submetidas a cirurgias e sessões de hemodiálise."

Fernanda Marques
Ciência Hoje on-line
07/03/02

 

 
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