Uma vacina com uma forma atenuada de três tipos de vírus da gripe é a nova arma de cientistas contra a doença. Conhecida como FluMist, ela promete reduzir a incidência da gripe em crianças e adultos saudáveis. Apresentada sob a forma de spray nasal, a FluMist elimina o inconveniente das injeções locais usadas em outras vacinas. Ela foi inventada por Hunein "John" Maassab, após mais de quarenta anos de pesquisas na Universidade de Michigan (Estados Unidos). Os direitos foram adquiridos pela companhia de biotecnologia MedImmune. A FDA, agência que regula alimentos e remédios nos EUA, pediu mais informações sobre a vacina, mas descartou a necessidade de testes clínicos adicionais. Ainda não há definições sobre quando ela estará disponível ao público.
A gripe é uma das doenças que mais atingem pessoas em todo o mundo (de 20 a 50 milhões por ano só nos EUA). Muitos consideram a influenza (nome que recebe em alguns idiomas) apenas uma doença inconveniente, mas não letal -- como são hoje Aids ou Ebola. No entanto, um vírus de gripe (há mais de um tipo responsável pela doença) pode ser um inimigo mortal. Isso é o que aponta Gina Kolata, autora do livro Gripe - a história da pandemia de 1918, recém-lançado no Brasil. Repórter de ciência do New York Times, Kolata acredita que a destruição causada pela epidemia no início do século 20 -- a gripe espanhola -- mostra que a doença não é tão inofensiva quanto se pensa.
A autora descreve um panorama assustador: a epidemia de 1918 atingiu 100 milhões de pessoas em todo o mundo e fez 40 milhões de vítimas. Kolata explica que ninguém sabe ao certo onde se originou a gripe daquele ano ou como se tornou uma força tão assassina. Ela começou como uma gripe comum na primavera de 1918. As pessoas adoeciam por cerca de três dias com febre e calafrios, mas raramente morriam. Depois essa gripe desapareceu, para retornar no outono do mesmo ano com muito mais força. Acredita-se que a pandemia (epidemia que acomete grandes contingentes em diversas partes do mundo) foi causada por uma grande mutação no vírus da influenza.
A palavra de origem italiana remete à característica que a gripe possui de aparecer a cada inverno. Influenza di freddo significa "influência do frio". Qualquer um pode contraí-la, mas praticamente todos se recuperam. A doença parecia tão familiar que daí talvez se explique o terror que ela provocou em 1918. Os próprios médicos relutaram em chamar de gripe a epidemia que se iniciava. A força com que vinha parecia apontar para uma nova doença. A gripe espanhola -- assim chamada porque a Espanha foi o último país atingido pela pandemia -- então se espalhou pelo mundo e diversas tentativas de encontrar seus agentes patogênicos se seguiram.
Kolata aponta a possibilidade de uma nova epidemia global no futuro, e defende que considerar a gripe uma doença corriqueira não se justifica. "A não ser que, desta vez, estejamos armados com uma compreensão melhor do passado para melhor sobrevivermos à próxima pandemia", encerra.