A infecção pela malária começa quando o mosquito do gênero Anopheles inocula no ser humano protozoários na sua forma infectante (esporozoítas). Eles circulam pelo sangue, fora das células, por cerca de meia hora. Chegam então às células do fígado (hepatócitos), onde se transformam em esquizontes e permanecem de uma a duas semanas. Nesse período são produzidos milhares de merozoítas, que retornam à corrente sangüínea e invadem as hemácias (células vermelhas do sangue). Após sucessivas multiplicações, são produzidos os gametócitos -- formas sexuadas do parasita sugadas pelo mosquito. No aparelho digestivo do inseto sofrem novas mudanças até se tornarem novamente esporozoítas que infectarão uma nova pessoa.
É possível criar vacinas que atinjam o parasita em outros estágios de seu ciclo. O casal de cientistas brasileiros Ruth e Vitor Nussenzweig, da Universidade de Nova York (EUA), estudam a forma infectante do protozoário (esporozoítas) há 30 anos. Eles trabalham em uma vacina contra esse estágio do ciclo. Uma vacina que ataque o Plasmodium na etapa em que ele se aloja no fígado também é possível, já que as células desse órgão têm HLA. "Outra alternativa é a chamada 'vacina altruísta', contra a forma do parasita que o mosquito ingere ao sugar o sangue de alguém infectado", diz Ribeiro. "Essa vacina imunizaria o mosquito, impedindo-o de transmitir a doença."