|
A história do Bendegó
Livro resgata trajetória do 11o maior meteorito já encontrado na Terra
O Bendegó, 11o maior meteorito já encontrado na Terra, descoberto no interior da Bahia em 1784, foi homenageado em um livro escrito por Wilton Pinto de Carvalho, cientista amador que se interessou pelo corpo celeste por ter nascido próximo ao local onde ele foi encontrado. Os meteoritos e a história do Bendegó conta em detalhes a trajetória do corpo celeste, de sua descoberta ao périplo que o levou ao Museu Nacional, onde está exposto. O livro traz ainda informações curiosas sobre os meteoritos encontrados na Terra e estudados em todo o mundo.
 |
|
O Bendegó está exposto no Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro, junto com os outro 38 meteoritos encontrados em território brasileiro | | |
Meteoritos são fragmentos de um corpo celeste sólido que entraram em rota de colisão com a Terra e, após atravessarem a atmosfera, enfrentando a pressão do ar e o calor, atingiram a superfície. O Bendegó possui cor preta e formato irregular e é composto sobretudo por ferro e níquel (quando o ferro é a substância predominante, o meteorito é denominado siderito - caso do Bendegó). Ele pesa 5360 quilos e mede 2,15 x 1,5 x 0,66 metros. "O Bendegó é importante por chamar a atenção do mundo para a coleção brasileira de meteoritos", diz Wilton.
O Bendegó foi batizado com o nome do rio às margens do qual foi encontrado por um sertanejo na Bahia. A princípio, os moradores da região pensaram ter achado uma mina de prata valiosa e logo mandaram avisar ao governador, D. Rodrigo José de Menezes, que ordenou que a estranha 'pedra' fosse levada para Salvador, capital da capitania. Um carro de boi foi reforçado para carregá-la até o porto de Aracaju, de onde ela deveria embarcar para Salvador. Foram necessários 12 juntas de boi para que o Bendegó fosse levantado do chão. O carro tinha andado somente 180 metros quando, em uma área de declive, os animais não suportaram o impulso que ele tomou. O transporte tombou, frustrando o projeto de trazer o Bendegó para a cidade.
 |
|
Travessia da serra do Acaru (esq.) e da passagem do Lajeado do Caldeirão (dir.), dois dos conturbados momentos da expedição de transporte do meteorito em 1887 | | |
Somente em 1887, D. Pedro II determinou que a Sociedade de Geografia do Rio de Janeiro organizasse uma expedição para trazer o Bendegó para a capital. Um carretão especial foi montado nas oficinas da antiga Estrada de Ferro Inglesa. "Ele tinha quatro rodas de ferro e trilhos removíveis, utilizados nos trechos mais esburacados do trajeto", conta Wilton. Quando a estrada estava boa, quatro rodas de madeira e a força de alguns bois faziam a carreta andar. Juntas, a carreta e a carga pesavam 6554 quilos. Foram 126 dias de viagem: o meteorito caiu sete vezes da carreta e os eixos do transporte se partiram quatro vezes. Após percorrer 113 quilômetros, o Bendegó chegou à estação de Jacurici. De lá, iria de trem até Salvador e, depois para o Rio.
Andressa Camargo Ciência Hoje/RJ 25/01/01 |