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 NOTÍCIAS :: HISTÓRIA DA CIÊNCIA E EPISTEMOLOGIA

A história da ciência no Brasil pela ótica das instituições
Livro resgata memória de centros de pesquisa criados no país no Império e República

A presença de Dom João VI e da família real portuguesa em território brasileiro nos primeiros anos do século 19 desencadeou o surgimento de vários centros de pesquisa no país. Muitos existem até hoje e se tornaram verdadeiros símbolos da nossa ciência -- como foi o caso do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, criado em 1808.

Detalhe da capa de Espaços da ciência no Brasil: Oswaldo Cruz e outros cientistas chegam a Manguinhos (Rio) entre 1908 e 1909

Enquanto esteve foragido no Brasil, o rei de Portugal tratou de criar um espaço em que se pudessem promover várias experiências sobre aclimatação, troca e preparação de produtos exóticos -- o que explica a curiosa presença de chineses no Rio para ensinar o método de cultivo e preparação do chá. Consumir o produto preparado no Jardim Botânico, aliás, tornou-se ícone de elegância na Corte durante o século 19. As experiências visavam também à exportação -- várias amostras de chá foram enviadas à Inglaterra.

O caso do Jardim Botânico não foi o único: o século 19 viu surgirem ainda instituições como a Comissão Geológica do Império do Brasil. Relatos que procuram retraçar a história desses centros de pesquisa acabam de ser reunidos na coletânea de ensaios Espaços da ciência no Brasil, 1800-1930, organizada pela historiadora Maria Amélia Dantes. Os sete artigos sobre instituições científicas brasileiras do século 19 e início do 20 procuram resgatar a história do desenvolvimento da ciência no país no Império e República.

As instituições científicas receberam pouca atenção dos historiadores da ciência, que privilegiaram a investigação do "desenvolvimento conceitual das ciências, visto como resultante de um processo autônomo, regido por normas internas e independentes dos demais processos sociais". Somente a partir da década de 1970 é que se instaura o debate sobre a constituição da memória científica no Brasil.

Serpentário do Instituto Butantan por volta do ano 1920 (fotos: reprodução)


Durante o século 19, registrou-se a criação de institutos científicos presentes até hoje na história do Brasil, como as escolas médico-cirúrgicas da Bahia e do Rio de Janeiro, que em 1832 se transformaram em faculdades de medicina, ou a Academia Real Militar (1810), que daria origem à Escola Central em 1858 e à Escola Politécnica do Rio de Janeiro em 1874. Já no século 20, aumentou o número de escolas profissionais e de centros de pesquisa no país -- como o Instituto Butantan, em São Paulo, criado em 1901. O surgimento dessas instituições não se limitou ao centro-sul do país, como atesta a criação, em 1866, do Museu Paraense Emílio Goeldi em Belém.

Espaços da ciência no Brasil cumpre com êxito a proposta de retraçar a história das instituições científicas brasileiras. Para alguns historiadores, a preservação da memória coletiva é um dos pilares para a construção da identidade de um povo. Na medida em que ajuda a construir a identidade científica do Brasil, o livro certamente não decepcionará o leitor que quiser voltar no tempo e reviver a história de nossa ciência -- seja ele um pesquisador ou simplesmente um aficionado pelo tema.

Espaços da ciência no Brasil - 1800-1930
Maria Amélia M. Dantes (organizadora)
Rio de Janeiro, 2001, Editora Fiocruz
202 páginas

Aline Pereira
especial para CH on-line
03/01/02

 

 
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