SOMENTE NO ACERVO
DA REVISTA CH
 
   
   
   
   
   
   
   
 

No telegrama, enviado ao governo mexicano, o ministro das Relações Exteriores alemão, Arthur Zimmerman, afirma que iniciaria uma guerra submarina contra os EUA. Ao mesmo tempo, tenta convencer o México a invadir o território norte-americano e recuperar o Arizona, o Texas e o Novo México. Em troca, a Alemanha daria apoio financeiro. O telegrama foi interceptado, enviado à Inglaterra e decifrado. Em seguida, foi lido para o presidente americano, Woodrow Wilson, que declarou guerra à Alemanha.






















Em 1900, a Linear B (foto) foi encontrada em tabuletas na ilha de Creta, hoje parte da Grécia. Durante anos, a escrita permaneceu um mistério, até que o arquiteto inglês Michael Ventris, baseado na tese de que a língua escondida atrás dos símbolos da Linear B era o grego arcaico, conseguiu decifrar as tabuletas. Elas continham, em grande parte, inventários que descrevem transações comerciais diárias.

 

 NOTÍCIAS :: HISTÓRIA DA CIÊNCIA E EPISTEMOLOGIA

A ciência do sigilo 
Livro narra evolução dos códigos e como seu uso ajudou a definir rumos da História

Em 15 de outubro de 1586, a rainha católica Maria Stuart, da Escócia, foi julgada por traição contra a coroa britânica. Ela tinha esperanças de sair viva: a única prova de seu envolvimento na conspiração feita para matar a rainha Elizabeth, da Inglaterra, era uma série de cartas que tinha trocado com outros católicos enquanto estava presa. As cartas foram escritas em código -- que Maria julgava 'inquebrável'. Estava enganada. A espionagem inglesa havia interceptado as cartas e decifrado seu conteúdo. Resultado: cerca de quatro meses depois, Maria foi decapitada no castelo de Fotheringhay.

A rainha da Escócia não foi a primeira vítima -- muito menos a última -- da confiança excessiva em um código: a lista é imensa. A História das mensagens cifradas é o tema de O livro dos códigos, do físico inglês Simon Singh.

O desenvolvimento das cifras, diz Singh, foi motivado pelo medo que reis, rainhas e generais tinham de ver suas mensagens secretas lidas por inimigos. Vem daí a necessidade de se codificar a linguagem, para que apenas o destinatário tenha a chave para decifrá-la. Mas a vontade de desvendar um segredo é tão grande quanto a de criá-lo: cada evolução nas técnicas de cifragem é acompanhada por evolução semelhante nos mecanismos de decifragem.

A luta de gato e rato entre os criadores de cifras (criptologistas) e os decifradores (criptoanalistas) é rodeada de segredos. Em alguns casos, não seria exagero supor que essa luta definiu os rumos da História. Na Primeira Guerra, os ingleses interceptaram e decifraram um telegrama enviado pelo ministro alemão Arthur Zimmerman, o que foi crucial para que os americanos abandonassem a neutralidade e entrassem no conflito.

Na Segunda Guerra, os criptoanalistas ingleses decifraram a Enigma (foto), sofisticada máquina alemã de cifragem. Durante anos, o sistema havia deixado os aliados loucos -- parecia impossível quebrá-lo. Mas com os insights do matemático Alan Turing, a missão foi cumprida. Segundo historiadores, o feito antecipou em alguns anos o fim da guerra.

Além de contar a fascinante evolução das técnicas de cifragem e decifragem -- que possibilitaram também a tradução de uma escrita de mais de 3 mil anos, a Linear B --, Singh levanta um assunto que não poderia ser mais relevante nos dias de hoje: o direito à privacidade.

Com a popularização da tecnologia de cifragem, cada e-mail pode ser codificado de maneira virtualmente 'inquebrável'. Daí surge a polêmica: interessa à sociedade garantir privacidade a todos, sabendo-se que grupos terroristas como o de Osama bin Laden utilizam a criptografia para manter seus próximos passos em segredo?

Quanto ao talento de Simon Singh, não há dúvidas: as saborosas histórias que conta fazem com que o leitor não perceba o grau de complexidade de assuntos como a criptologia quântica. E, ao contrário do que acontece com obras de outros físicos famosos, O livro dos códigos dispensa qualquer tipo de criptoanálise.

O livro dos códigos
Simon Singh (trad.: Jorge Calife)
Rio de Janeiro, 2002, Editora Record
446 páginas; R$ 48

Tiago Lethbridge
Ciência Hoje on-line
14/03/02

 

 
  INÍCIO O INSTITUTO CH ON-LINE REVISTA CH CH DAS CRIANÇAS APOIO À EDUCAÇÃO CONTATO