.
O documento foi mantido pela Igreja por muitos anos, até ser doado a uma biblioteca de Constantinopla, onde foi encontrado em 1906 pelo filólogo Johan Ludvig Heiberg. Com apenas uma lupa, ele conseguiu identificar, sob a escrita religiosa, os textos de Arquimedes. Como não podia retirar o livro, Heiberg fotografou suas páginas e publicou seu conteúdo. Apesar das condições precárias, ele pôde decifrar quase 80% dos textos.
Já naquela época Heiberg descobriu que Arquimedes calculava precisamente números e volumes, operação que até no século 17 ainda era feita de forma aproximada. Pouco tempo após descoberto, o manuscrito voltou a sumir, e só reapareceu nos anos 1930, numa coleção privada em Paris. Em 1998, foi vendido por 2 milhões de dólares a um colecionador, que emprestou o livro ao museu onde está sendo estudado.
A nova análise do palimpsesto utilizou tecnologia avançada, pois o desgaste do tempo tornou alguns trechos praticamente ilegíveis. As descobertas mostram que a história da ciência ainda tem muito a revelar. "Tendemos a acreditar que as culturas são monolíticas, e este é um exemplo do contrário", diz Netz. "Simplificar a forma da história pode gerar idéias subdesenvolvidas."
Gisele Lopes
Ciência Hoje on-line
06/12/02