de Avicena, para que o leitor, já familiarizado com os principais conceitos da filosofia árabe, faça sua interpretação.
A filosofia de Avicena nasce em parte graças ao seu envolvimento com a medicina: aos 16 anos, recebeu a proteção de um sultão quando o livrou de uma doença supostamente incurável. Sua maior recompensa foi o acesso à biblioteca dos samânidas (que governavam a Pérsia), onde leu Porfírio, Ptolomeu e Aristóteles.
Aos 21 anos compôs sua primeira obra, O compêndio, um estudo das principais ciências daquele tempo: física, metafísica, ética, economia e política, com exceção da matemática. Em seguida, escreveu uma obra sobre a jurisprudência do Corão e um tratado ético. Em 999 os samânidas perderam o trono para os turcos e Avicena iniciou sua peregrinação pela Pérsia. O único registro sobre sua trajetória de vida é Autobiografia, ditada por ele a um discípulo que o acompanhou por 25 anos.
Nascido em Afshana, cidade próxima à Bukhara (atual Irã), aos dez anos sabia gramática, teologia e recitava o Corão de cor. Logo se destacou e ganhou a vida com os serviços prestados aos nobres: foi médico, vizir e consultor para assuntos políticos. Viveu uma época conturbada da história árabe marcada por instabilidade política e perseguições constantes -- passou anos foragido, chegou a ser preso e teve muitas de suas obras queimadas e roubadas.
Avicena andava acompanhado de discípulos com os quais virava noites em "intermináveis discussões filosóficas". As oficinas noturnas renderam cerca de cem obras médicas e filosóficas, das quais a mais famosa é O livro da cura, uma reflexão sobre física, metafísica e lógica.
Em decorrência do panorama político, Avicena foi obrigado a acompanhar em uma guerra o príncipe Ala al-Dawla, a quem serviu nos últimos 14 anos de sua vida. Ficou doente e, com medo de ser deixado para trás, tomou em excesso um medicamento que lhe provocou uma úlcera intestinal. Morreu aos 58 anos em Hamadan (atual Irã), onde seu túmulo pode ser visitado até hoje.