O ourives Johannes Gutenberg (1398-1468), nascido na atual Alemanha, é considerado o criador da imprensa em série. Seu invento chegou a ser apontado, em um levantamento feito nos anos 1990 pela revista Life, como o evento mais revolucionário do segundo milênio, à frente de fatos como o desenvolvimento das armas de fogo na China e as observações astronômicas de Galileu.
Para Henrique Antoun, professor da Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro, o surgimento da Bíblia de Gutenberg é emblemático, pois marca a transformação do mundo medieval e a passagem para a Idade Moderna. "O surgimento da imprensa permitiu que a religião saísse das mãos dos sacerdotes e chegasse ao povo", disse.
À época de Gutenberg, as primeiras Bíblias impressas eram de difícil acesso. Poucos indivíduos possuíam condições financeiras para adquirir o livro; a maior parte dos volumes foi vendida para igrejas, mosteiros e universidades. Meio milênio depois, a obra está disponível na internet, com acesso fácil e imediato.
A Bíblia de Gutenberg está ao alcance de (quase) todos -- inclusive aqueles que a príncípio não se interessariam pelo tema. O hipertexto, estrutura típica da leitura na web, permite que esses internautas cheguem até a obra por meio de links encontrados em outros sites. "Aqueles que jamais iriam até o museu para ver a Bíblia talvez dêem uma olhadinha na internet", afirma Henrique. "Com um clique no mouse e dez minutos do meu tempo, posso ter acesso à Bíblia de Gutenberg."