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 NOTÍCIAS :: HISTÓRIA

Planejamento urbano no Brasil colonial
Livro resgata pinturas, aquarelas e plantas das primeiras cidades do país

Abertura do CD-ROM Imagens de vilas e cidades do Brasil colonial

A historiografia brasileira possui agora um novo referencial para pesquisas sobre a formação e o planejamento urbanístico de nossas cidades e vilas no período colonial. O arquiteto e urbanista Nestor Goulart Reis Filho acaba de reunir no livro Imagens de vilas e cidades do Brasil colonial (clique aqui para comprar) cenas desse período obtidas em arquivos e bibliotecas do nosso país, de Portugal e Holanda. Os documentos mostram que, ao contrário do que se pode pensar, houve um planejamento efetivo para a construção das cidades brasileiras.

O livro é fruto de 40 anos de pesquisa, durante os quais Goulart resgatou mais de mil imagens do passado colonial brasileiro. Entre elas, o urbanista compilou 329 pinturas, aquarelas e plantas de traçados urbanos representando cidades como Rio de Janeiro, Salvador e Recife, entre os séculos 16 e 19. Muitas obras são de autores desconhecidos; a maioria foi feita por engenheiros militares portugueses.

O traçado xadrez das ruas freqüente nas cidades coloniais foi aproveitado pelos escravos. Acima, um mapa do Rio de Janeiro de 1750; abaixo, uma planta de 1764 do quilombo "Buraco do Tatu"

As imagens mostram uma preocupação sistemática dos portugueses ao traçar as cidades: a segurança e a defesa. Para evitar possíveis invasões, as cidades eram freqüentemente cercadas por muros com portas. Além disso, os traçados das ruas eram simétricos, em forma de xadrez, para racionalizar a defesa militar. Mesmo os escravos mostravam conhecimento dessas técnicas: a planta de um quilombo localizado nas cercanias de Salvador mostra nitidamente o traçado xadrez inspirado no das cidades.


 
Para Goulart, a produção do livro tem como principal objetivo incentivar um novo olhar para o passado brasileiro. "Não conhecemos a História do Brasil através da arquitetura e do planejamento urbanístico, como ocorre com os países europeus, por exemplo. Nossa visão é baseada em documentos históricos e burocráticos portugueses." O urbanista pretende que as imagens contidas no livro sirvam para se repensar o ensino de História no país, introduzindo as fontes iconográficas do planejamento urbano como documentos.

O livro tem ainda uma versão em formato CD-ROM, com conteúdo integral, e um kit educacional formado por 35 pôsteres. O livro e o CD-ROM serão distribuídos para escolas e centros culturais de todo o país.

Pedro Lent
Ciência Hoje/RJ
31/07/00

 

 
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