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Registros da história da TV brasileira
Professor guarda maior acervo de documentos impressos sobre o tema
O maior acervo de documentos impressos sobre a televisão brasileira está guardado em um pequeno cômodo de uma casa na zona norte do Rio de Janeiro. No imóvel, reside João Luís van Tilburg, professor da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). Há mais de 30 anos, ele coleciona textos sobre TV publicados na imprensa escrita. Sentado em frente ao micro, ele passa a mão no cabelo grisalho e contempla as prateleiras da salinha que encerra milhares de papéis organizados em pastas coloridas. "Esse trabalho é a minha vida."
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Abelardo Barbosa (o Chacrinha) em programa de 1960 da TV Tupi | | |
Em 1969, quando João Luís recortou do Jornal do Brasil um texto sobre a implementação da TV Educativa no Rio, ele não sabia ainda que aquele seria o primeiro documento de um grande acervo. No entanto, já desejava então estudar o fenômeno televisivo por acreditar que, em um país em que grande parte da população não tem hábito de leitura ou renda para comprar jornal e gasta horas nos trajetos entre casa e trabalho, a TV poderia ser um meio democrático para difundir informação. "Às vezes é, às vezes não", pondera o professor. "Nos telejornais, por exemplo, as notícias são editadas de acordo com o interesse das emissoras. Por outro lado, grandes obras como Os Maias (do escritor português Eça de Queiroz) não chegariam ao conhecimento popular sem a TV."
Segundo João Luís, poucos trabalhos analisam o papel social da TV. Em 2000, alguns livros homenagearam os 50 anos de história do veículo no Brasil, mas poucos deles resultaram de pesquisas acadêmicas. "Na Universidade, as pessoas têm preconceito, não gostam de contar que vêem TV." Em 1972, quando João Luís, graduado em filosofia, decidiu fazer mestrado em comunicação social, o quadro era ainda mais grave. "Em minha tese sobre telenovelas, afirmo que elas ditam valores: familiares, religiosos, políticos", diz. "Mas como usar o termo 'aparelho ideológico' durante a ditadura?" A tese foi elaborada a partir do acervo que ele vinha juntando, pois à época, poucos estudos haviam sido publicados sobre o tema.
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O seu repórter Esso foi um dos primeiros telejornais da TV brasileira | | |
Hoje, o arquivo de João Luís é fonte de consulta imprescindível para estudiosos da TV. Lá, estão guardadas notícias, entrevistas, editoriais, colunas especializadas e cartas do público para os artistas. No início, o acesso ao acervo dependia da autorização do professor para consulta em sua casa. Em meados dos anos 1990, ele disponibilizou a coleção na Internet para estudantes do mundo inteiro. No projeto TV Pesquisa, idealizado em parceria com a PUC-Rio, o acervo ganhou endereço próprio na world wide web. "Nem todos os documentos estão digitados, mas todos estão catalogados na página. Encarrego-me de enviar qualquer notícia o mais rápido o possível a quem solicitar por e-mail", garante.
Andressa Camargo Ciência Hoje/RJ 31/01/01 |