Chartier destaca três grandes revoluções na história do livro. A primeira se deu quando o texto em rolo, caracterizado pela forma do pergaminho, foi suplantado pelo códex, que é montado com folhas costuradas uma após a outra (formato do livro que predomina atualmente). O surgimento do códex alterou tanto a base material do livro quanto os hábitos de leitura. A segunda ocorreu no século 15, quando Gutenberg criou a prensa e transformou o modo de impressão sobre papel: o livro deixou de ser manuscrito. A mais recente surgiu no fim do século 20 e se caracteriza pela digitalização do texto. "O livro eletrônico revoluciona as estruturas do suporte material do escrito assim como as maneiras de ler", afirma Chartier em A aventura do livro.
O historiador discute também a mistura das funções de editor, autor e leitor. Hoje, com as possibilidades abertas pela internet, qualquer um pode escrever um texto, editá-lo e disponibilizá-lo na rede, desde que possua o equipamento apropriado e saiba manejá-lo. "Com a revolução industrial da imprensa, os papéis de autor, editor, tipógrafo, distribuidor, livreiro, estavam separados", conta Chartier. "Com as redes eletrônicas, essas operações podem ser acumuladas." Segundo ele, a experiência do leitor no espaço virtual também se transforma. "O novo suporte do texto permite usos e intervenções do leitor infinitamente mais numerosos e mais livres que qualquer uma das formas antigas de livro."
Andressa Camargo
Ciência Hoje/RJ
21/05/01