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Múmia é o cadáver conservado pelo processo de embalsamento. Os egípcios acreditavam na imortalidade e na ressurreição do corpo. Essa crença levou à disseminação do costume de preservar, com técnicas de mumificação, os corpos dos mortos. No Egito, a técnica alcançou o apogeu no II Império, sobretudo entre a 18a e a 19a dinastia. Acreditava-se que, após a morte, antes de atingir a redenção eterna, a alma peregrinaria por longo tempo e revisitaria o corpo que, portanto, deveria ser conservado.



De acordo com a museóloga Thereza Baumann, a coleção egípcia do Museu Nacional chegou ao Brasil por acaso. Ela teria sido encomendada por um argentino; como ele não tinha o dinheiro necessário para comprá-la, a coleção foi desembarcada no Rio de Janeiro. José Bonifácio, então ministro do Império, incitou o imperador Pedro I a comprá-la. Segundo Baumann, nem todos apoiaram a compra das peças, que suscitou polêmica na época.

 

 NOTÍCIAS :: HISTÓRIA

Conheça melhor o antigo Egito
Com múmias, sarcófagos e outras peças, mostras oferecem panorama de civilização

Três mil anos se passaram e Hori continua exercendo fascínio: em sua época, foi sacerdote e guardião do harém real; hoje, seu corpo mumificado é o mais alto representante do antigo Egito na América Latina. Hori é também a principal estrela da coleção egípcia do Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro. A múmia poderá ser vista a partir de 27 de junho, quando será inaugurada a ampliação da coleção para comemorar o aniversário da instituição. Os brasileiros têm ainda outra oportunidade de conhecer melhor a civilização do antigo Egito: o Museu de Arte Brasileira da Fundação Armando Álvares Penteado (Faap) trouxe ao Brasil parte do acervo do Museu do Louvre, apresentado na exposição A arte egípcia no tempo dos faraós.

Detalhe da tumba que Sennedjem, artesão de nobres e faraós, fez construir para si nos arredores de Tebas por volta de 1250 a.C. A exposição da Faap apresenta uma reprodução da tumba (foto: Georges Poncet)

Com aproximadamente 700 peças, a coleção de múmias e objetos do Egito antigo do Museu Nacional é a mais importante da América do Sul. Por isso, Thereza Baumann, responsável pelo setor de museologia da instituição, decidiu transferi-la para uma sala maior, onde serão expostas peças nunca vistas pelo público, com destaque para Hori. O sacerdote pertenceu à 21a dinastia do Egito antigo, entre 1090 e 1040 a.C. Serviu à esposa do principal deus de seu povo -- Amon, para quem celebrou rituais. Devido à fragilidade da peça, a múmia de Hori ficará em exibição por tempo limitado.

Entre os destaques da exposição, que apresenta a coleção egípcia adquirida pelo imperador Pedro I em 1827, estão também uma múmia rara embalsamada com os membros separados e o sarcófago de Sha-amun-en-su. Essa foi uma sacerdotisa que teria vivido na 23a dinastia (cerca de 750 a.C.) e cuja missão teria sido auxiliar a esposa Amon. Seu sarcófago, que conserva as cores originais, nunca foi aberto e permite que se vejam os pés da múmia.

"A ampliação da coleção permitirá ao público um contato mais adequado com as peças", afirma o antropólogo Luiz Fernando Dias Duarte, diretor do Museu Nacional, que é a mais antiga instituição científica do Brasil e está completando 183 anos. "A cultura egípcia fascina milhares de pessoas até hoje porque tentou subverter, por meio das múmias, as fronteiras entre a vida e a morte."

A arca para os servidores funerários da dama Pypya, que viveu entre 1295 e 1069 a.C., está exposta na mostra da Faap (foto: Lamberto Scipioni)

Quem estiver em São Paulo também pode mergulhar no antigo Egito se visitar a exposição A arte egípcia no tempo dos faraós, no Museu de Arte Brasileira da Faap. A mostra apresenta 56 obras da coleção do Departamento de Antigüidades Egípcias do Museu do Louvre, em Paris. São estátuas, vasos, arcas funerárias, tumbas e instrumentos cotidianos que oferecem um panorama geral dos costumes, da arte e da religião egípcia.

Nessa civilização, a arte era tida como sagrada, ligada ao poder e voltada para o serviço dos mortos. A maior obsessão dos antigos egípcios era a imortalidade: por isso, os corpos eram embalsamados e enterrados em locais de difícil violação, cercados de tudo que precisassem para continuar a vida -- de réplicas de alimentos a jóias e mobiliário.

 

Abertura da ampliação da coleção egípcia
Local: Museu Nacional da UFRJ
Endereço: Quinta da Boa Vista, s/n - São Cristóvão - Rio de Janeiro/RJ
Telefone: (21) 568-8262
Data: a partir de 27 de junho
Horários: de terça a domingo, das 10h às 16h
Entrada: R$ 3. Grátis para maiores de 65 anos e menores de 10 anos
A arte egípcia no tempo dos faraós
Local: Museu de Arte Brasileira e Salão Cultural da FAAP
Endereço: Rua Alagoas, 903 - Higienópolis - São Paulo/SP
Telefone: (11) 3662-1662
Data: até 22 de julho
Horários: de terça a sexta, das 10h às 21h; sábados, domingos e feriados, das 10h às 16h30
Entrada gratuita


Andrea Guedes

Ciência Hoje on-line
11/06/01

 

 
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