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 NOTÍCIAS :: HISTÓRIA

Repressão ao Partido Nazista alemão no Brasil

Análise pioneira de documentos revela atividade da polícia política de São Paulo

Documentos estudados pela primeira vez revelam as atividades da polícia política de São Paulo na repressão ao Partido Nazista alemão no Brasil. O material -- que faz parte do acervo do Departamento Estadual de Ordem Política e Social (Deops-São Paulo) -- foi analisado pela jornalista e historiadora Ana Maria Dietrich. Os resultados da pesquisa foram organizados em sua dissertação de mestrado 'A caça às suásticas: o Partido Nazista em São Paulo sob a mira da polícia política', defendida na Universidade de São Paulo (USP) em junho de 2001. Orientado pela professora Maria Luiza Tucci Carneiro, o estudo mostra que a repressão ao Partido Nazista no país teve início com o posicionamento do Brasil contra Alemanha, Itália e Japão na Segunda Guerra Mundial.

Nazistas reunidos em Santos (SP) nos anos 40. Ao fundo, bandeira brasileira ao lado da suástica


Entre 1931 e 1938, organizações em que os ideais nazistas eram exaltados funcionavam livremente no Brasil. Nesse período, a seção brasileira do Partido Nazista contava com cerca de 2800 membros, alemães natos em grande maioria (menos de 2% eram brasileiros). "Apesar da forte presença alemã no sul do Brasil, o partido tinha mais associados em São Paulo que em Santa Catarina", afirma a historiadora. Entre os principais veículos nazistas de comunicação no país se destacava o jornal semanal Deutscher Morgen ('Aurora Alemã'). Diversos produtos e serviços eram anunciados nesse jornal. "Isso indica que muitos simpatizavam com o nazismo apesar do número relativamente pequeno de filiações ao partido", comenta Dietrich.

Em 1938, a atuação de partidos estrangeiros em território brasileiro foi proibida e o Partido Nazista alemão passou a agir clandestinamente. Com a entrada do Brasil na guerra em 1942, os alemães nazistas passaram a ser considerados inimigos militares internos. "Mas a repressão da polícia política de São Paulo não afetou apenas os nazistas", diz Dietrich. "O cotidiano de toda a comunidade alemã foi fortemente alterado." Instituições alemães suspeitas de envolvimento com o nazismo foram nacionalizadas. Alemães não podiam cantar seus hinos nem falar seu idioma. Para viajar ou mudar de residência, precisavam de autorização do governo. Eram vigiados em casa, na rua e no trabalho.

Quando a atitude de um indivíduo era considerada suspeita, a polícia política invadia sua casa à procura de objetos comprometedores: fotografias, livros etc. Se esses objetos fossem encontrados, o indivíduo era preso mesmo sem mandado. Durante a guerra, a polícia política manteve na prisão suspeitos que já tinham sido absolvidos em julgamento. Contudo, o chefe do Partido Nazista no Brasil, Hans Henning Cossel, não foi preso.

"Os dados apresentados nos fazem compreender como as práticas de cidadania e democracia são importantes", comenta Dietrich. No futuro, a pesquisadora pretende estudar arquivos alemães sobre o Partido Nazista no Brasil e conversar com pessoas envolvidas nesse importante episódio da história brasileira.

Fernanda Marques
especial para CH on-line
14/11/01

 

 
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