O poema sagrado dos indianos, o Râmayana, apresenta a crença de que ao fazer fogo o homem criou os deuses. O Zend Avesta, livro sagrado da Pérsia (atual Irã), traz a lição do trabalho e considera a morte, Lama, expressão das atitudes em vida. O Shah Nameh ou Livro dos Reis é a versão final da história épica da Pérsia desde os tempos míticos. Na Grécia, Homero resume mil anos de poesia em A Ilíada. No Egito, a religião "sem mistério, em plena luz, toda de amor" está reunida no Livro dos Mortos.
Michelet trata ainda do Antigo Testamento, livro sagrado dos judeus, e aponta as origens orientais de diversos preceitos cristãos. A transformação das civilizações em meio a guerras e invasões também é abordada, com destaque para a saga de Alexandre, o Grande. O enfoque sobre a mulher permeia toda a análise do historiador, que destaca a tradição sensual e feminina da Síria e retrocede à origem do cristianismo, quando as mulheres eram sacerdotisas.

A Bíblia da Humanidade é um marco do emprego do subjetivismo na construção de uma visão abrangente da realidade histórica. A recente edição do livro, amplamente ilustrada com exemplos da arte de cada civilização, torna ainda mais vívido este retrato da história. Michelet, considerado um dos maiores historiadores de todos os tempos, insistia: "Se fui melhor historiador que os outros é porque amei mais que eles."