Com a expulsão dos jesuítas no século 18, a rede de poder no Rio de Janeiro se alterou. Os índios deixaram de ser importantes para a defesa e passaram a ser requisitados como mão-de-obra. "Nessa época, o aldeamento de São Barnabé passou para uma administração leiga, levada pelos portugueses que antes haviam arrendado suas terras aos jesuítas", diz Nanci. "Aí as rebeliões se intensificaram."
A pesquisadora também explica que data desse tempo uma política de esquecimento e preconceito por parte de historiadores, que viam nos indígenas um atraso para o Brasil. "Para eles, índio era uma raça em degeneração. Interessava mostrar a dominação portuguesa", critica. Nanci acredita que, como reflexo dessa política, o tombamento da região de São Barnabé foi negado pelas autoridades de Itaboraí. "Dizem que o local já passou por reformas anteriores e está bastante descaracterizado para ser tombado", explica.
Ao percorrer a região, no entanto, a pesquisadora notou algumas trilhas e marcos da redefinição dos limites de territórios indígenas ainda visíveis. Nanci fez um mapa do local e identificou diversos pontos indicados em documentos dos séculos 16 e 17. Agora, pretende investigar outros sítios arqueológicos em Itaboraí e pesquisar as relações estabelecidas entre colonizado e colonizador.
Elisa Martins
Ciência Hoje on-line
17/12/02