Em seus trabalhos, Marques e sua equipe descobriram estruturas antigas como os alicerces da Capela de Santo Cristo (construída por volta de 1640), que existiram até o final do século 17, pisos em tijoleira e em pedra aparelhada do antigo Corpo da Guarda e datados do fim do século 17 ou vestígios das fundações da casa de pólvora e de quatro rampas de acesso ao terrapleno, local onde se assentavam canhões.
Entre os objetos encontrados estão moedas antigas -- inclusive uma de ouro de 1752 --, cachimbos, louças em faiança portuguesa e faiança fina inglesa, garrafas de bebida, botões de fardamento, fragmentos de armas etc. O mais surpreendente, no entanto, é que foram achadas no local cerâmicas associadas à cultura indígena -- prova da ocupação anterior à chegada dos portugueses. "O Forte do Presépio não é só um marco do passado colonial", diz Marques. "Ele representa o encontro das culturas portuguesa e indígena, cujas evidências fizemos questão de deixar expostas para a visitação no museu ali instalado."
Toda a área do Forte do Presépio é hoje o Núcleo Cultural Feliz Lusitânia, composto por três edificações: a Casa das Onze Janelas (um sobrado onde funcionava o antigo Hospital Militar), o Museu de Arte Sacra e o Museu do Encontro, que é o próprio Forte do Presépio.
Denis Weisz Kuck
Ciência Hoje on-line
11/03/03