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 NOTÍCIAS :: GEOCIÊNCIAS

Vida ressurge após erupção vulcânica
Leguminosas fornecem nutrientes ao solo e criam novas cadeias alimentares

Em 18 maio de 1980, o vulcão de Mount Saint Helens, no noroeste dos Estados Unidos, entrou e erupção e devastou os ecossistemas da região. Plantas, animais e bactérias foram levados pelo vento, queimados ou soterrados. Vinte anos depois, o biólogo John Bishop, da Universidade Estadual de Washington - Vancouver, estuda o ressurgimento da vida na região mais devastada pelas lavas e cinzas: as planícies de Pumice, situadas ao norte da cratera.

Novos ecossistemas apareceram nas regiões devastadas pelo vulcão de Mount Saint Helens (EUA)

Em 1981, foi encontrado a alguns quilômetros de qualquer vegetação remanescente um único exemplar de tremoço (Lupinus lepidus), uma planta da família das leguminosas. O fato é curioso, pois suas sementes são grandes, o que dificulta sua dispersão. Hoje, a planta já cobre uma região com mais de vinte acres nas planícies de Pumice, e uma nova vegetação cresceu na área em que o tremoço apareceu inicialmente.

Os tremoços são os responsáveis pelo ressurgimento de novos ecossistemas na região. Eles fornecem nitrogênio ao solo, fundamental para o crescimento das plantas. Hoje, já não há mais tantos exemplares de tremoço como inicialmente, pois ele serve de alimento a várias espécies de insetos. Nas raízes dessas plantas, Bishop encontrou lagartas que se alimentavam de suas sementes. Sua pesquisa é uma das primeiras a relatar o retorno da vegetação controlado por insetos.

Os novos ecossistemas já têm uma cadeia alimentar com três níveis. No primeiro, estão os tremoços, responsáveis pela revegetação. No segundo, as lagartas que se alimentam dessa planta. No terceiro, pássaros, vespas, formigas e aranhas que comem as lagartas.

O impacto evolucionário do surgimento de novos ecossistemas nas planícies de Pumice também está sendo estudado por Bishop. Quando uma nova população surge a partir de um grupo limitado, mudanças genéticas radicais podem ocorrer. Cada novo lote pode diferir geneticamente do outro, levando a trajetórias evolucionárias diversificadas. Atualmente, o biólogo está comparando os tremoços encontrados nos Montes Adams, Hood, Santa Helena e Rainier.

Simone Zuidinga
Ciência Hoje/RJ

 

 
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