A topografia era feita com a ajuda de marcos e instrumentos de mensuração, como os teodolitos. A partir da posição e distância exata entre dois pontos, era possível determinar um terceiro pelos ângulos formados entre os três. Para isso, os técnicos muitas vezes tinham que percorrer lugares inóspitos: "Imagine como era difícil subir morros com os equipamentos pesados ou estar em lugares fechados como a floresta amazônica, onde os pontos eram determinados com a ajuda das estrelas", recorda Ângelo José Pavan, diretor-adjunto do IBGE e um dos organizadores do evento.
 |
|
Elipsóides feitos a partir dos referenciais topocêntrico (à direita, em preto) e geocêntrico (azul) não coincidem | | |
Já no sistema geocêntrico, o elipsóide é desenhado a partir do centro da Terra. Se no sistema antigo as cartas de países vizinhos muitas vezes não batiam, pois seus elipsóides se localizavam em lugares distintos, no novo método cartográfico o problema é contornado, já que o referencial é o mesmo para todos: o centro do planeta. O geocentrismo só se tornou possível graças a técnicas como o GPS (sigla em inglês para 'sistema de posicionamento global'), em que as coordenadas são definidas por satélites. "Rastreadores digitais são muito mais precisos que os teodolitos, e são tão práticos que podemos encontrá-los até em relógios", completa Pavan.
O IBGE prevê uma transição lenta de um sistema para outro. Um dos objetivos do evento no Rio foi orientar os usuários de mapas quanto à necessidade de adotar um referencial mundialmente aceito. Pavan não recomenda o uso simultâneo dos dois sistemas que, por ter referenciais distintos, apresentam grande diferença de coordenadas. "Ou se usa um ou outro. O que importa é você saber onde está."
Pablo Pires Ferreira
Ciência Hoje/RJ
27/10/00