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 NOTÍCIAS :: GEOCIÊNCIAS

Paisagem geológica brasileira em transformação
Regiões elevadas do sudeste elevam-se ainda mais; planícies estão afundando

 Um estudo sobre a movimentação da Terra nos últimos 15 milhões de anos revelou que a paisagem geológica do sudeste brasileiro está se transformando. Pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) provaram que sismos (abalos de terra) produzidos no interior da placa tectônica Sul-Americana, na qual o Brasil está localizado, estão fazendo com que as serras do Mar e da Mantiqueira (situadas entre São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais) se elevem e o oeste de São Paulo afunde, alterando o relevo e o curso dos rios da região.

A Serra da Mantiqueira é uma das formações que estão 'crescendo', ao passo que o oeste paulista está 'afundando'

A equipe liderada pelo geólogo da Unesp Yociteru Hasui analisou sedimentos, pólen fossilizado, demarcações do relevo e de estruturas geológicas em uma área de 400 mil quilômetros quadrados que inclui todo o estado de São Paulo e partes do Paraná, do Rio de Janeiro e de Minas Gerais. A partir dessas análises, os cientistas puderam afirmar que as regiões elevadas do sudeste estão subindo ainda mais e sofrendo erosão, enquanto algumas planícies afundam e são assoreadas por sedimentos.

Nos últimos séculos, registraram-se vários tremores de terra no sudeste brasileiro. Até os anos 70, os geólogos pensavam que o interior das placas tectônicas fosse uma região estática - acreditava-se que terremotos só poderiam ocorrer em terrenos situados nas bordas das placas e nunca no interior delas. Os tremores de terra verificados eram, nessa época, explicados como movimentos da superfície: acomodações de camadas de sedimentos, colapsos de tetos de cavernas, deslizamentos de terra.

A partir de 1974, a Associação Brasileira de Geologia e Engenharia (ABGE), preocupada com as conseqüências da movimentação do solo para grandes obras no país, voltou a questionar nos encontros que promoveu a causa desses abalos no território brasileiro. Estudos subseqüentes demonstraram que eles provinham de atritos no interior das placas tectônicas produzidos em regiões situadas até 20 quilômetros sob a superfície do planeta.

Segundo Hasui, as chamadas falhas geológicas (fissuras) são as responsáveis pelas agitações em regiões distantes das bordas das placas e, conseqüentemente, pelos tremores observados em terras brasileiras. "As duas partes do bloco se chocam e geram vibrações que se propagam por vários quilômetros e chegam à superfície", conta Hasui. Os deslocamentos e os pequenos terremotos ocasionados por essas falhas são a principal preocupação da ABGE. Apesar disso, o geólogo afirma que não há motivo de preocupação, já que as grandes edificações têm eficientes sistemas de segurança. "Além disso, as mudanças maiores estão previstas para daqui a milhões de anos, e o homem tem grande capacidade de adaptação."

Andressa Camargo
Ciência Hoje/RJ
16/11/00

 

 
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