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Falhas como a de San Andreas, nos Estados Unidos (acima), são responsáveis pelo surgimento de mais de 80% dos vulcões

Quase todos os vulcões surgem de dois modos. No primeiro caso, quando uma placa tectônica encontra-se com outra, a mais fina desliza sob a mais densa (processo chamado subducção) e o atrito decorrente do processo derrete pedaços de placa originando magma que posteriormente é jogando para a superfície. Esta é a origem de vulcões como os encontrados nas cordilheiras americanas ou no leste asiático. Já no segundo caso, o processo de afastamento das placas origina um vão entre as mesmas, permitindo que o magma contido no manto aflore, formando cadeias de montanhas submarinas ou ilhas vulcânicas como a Islândia.



Os geólogos norte-americanos constataram que os pontos quentes localizam-se em latitudes que variam entre 20 e 30 graus, conforme é possível verificar no mapa de sua distribuição acima. Sendo assim, por que não há vulcões em regiões próximas a cidades brasileiras como São Paulo ou Rio de Janeiro? Segundo Doug Oliver, a crosta terrestre é muito grossa nestas regiões, evitando o afloramento de vulcões. "Apesar disso, provavelmente os pontos quentes estiveram muito próximos da costa brasileira no passado", afirma. "No período cretáceo, inúmeros vulcões surgiram ao mesmo tempo em que a África se separava da América do Sul". O geólogo faz referência aos derramamentos de lava ocorridos a 130 milhões de anos que cobriram uma extensa região brasileira, conferindo-lhe uma crosta bem espessa.

 

 NOTÍCIAS :: GEOCIÊNCIAS

Resposta para um mistério geológico
Mecânica dos fluidos explicaria origem de vulcões no meio de placas tectônicas

A origem dos vulcões é explicada por eles ocorrerem na maioria nas fronteiras entre as placas tectônicas que formam a superfície terrestre, seja quando elas se chocam, seja quando se distanciam umas das outras. Mas há ainda um outro caso que representa um mistério para a geologia: são os chamados 'pontos quentes', ou vulcões que surgem no meio das placas tectônicas, como os exemplos no Taiti ou no Havaí. Após constatar que a maioria dos 47 pontos quentes existentes na superfície terrestre ocorre em latitudes entre 20 e 30 graus ao sul ou norte do equador, os geólogos Douglas Oliver e Rebecca Ghent, da Southern Methodist University, em Dallas, Estados Unidos, propuseram uma nova teoria para explicar sua origem.

Geólogos propõem um modelo para explicar a origem dos vulcões em 'pontos quentes', como o Kilaeua, no Havaí (foto)

O modelo foi construído a partir de conceitos físicos da dinâmica dos fluidos, sobretudo o que prevê que um líquido preso entre duas camadas esféricas que giram com velocidades distintas em torno de um mesmo eixo se move seguindo um padrão único. A Terra é formada por uma crosta fria e rochosa, por um manto sólido devido às altas pressões e com temperaturas em torno de 2000o C, e por um núcleo dividido em duas partes: uma mais externa e líquida; outra, mais sólida e interna, com temperatura superior a 4200o C. Como o núcleo inferior, além de ser mais quente, parece girar mais rápido que o restante do planeta, Ghent e Oliver teorizaram que o líquido do núcleo mais externo circula uniformemente formando um redemoinho entre o núcleo central e o manto.

Esquema de formação de pontos quentes


Doug Oliver acredita que o material quente preso entre o núcleo e o manto migra das latitudes mais altas do núcleo externo para as regiões correspondentes às latitudes onde se situam os pontos quentes. Por ser leve e para escapar das altas pressões, o liquido força a passagem rumo à superfície sob a forma de bolhas denominadas plumas. Depois, retorna ao interior da Terra esfriando progressivamente. "Por esse processo, o núcleo também pode transferir seu excesso de calor para o manto", disse Oliver a CH on-line.

A teoria anterior à proposta por Ghent e Oliver estabelecia que os pontos quentes ocorriam devido a irregularidades da crosta terrestre, ou seja, a lava sairia por onde esta fosse mais fina. Oliver contesta sugerindo que, se fosse assim, vários vulcões teriam surgido aleatoriamente pelo globo, o que suas estatísticas desmentem. "Creio que é a concentração dos vulcões que causa irregularidades na crosta, e não o contrário."

O geólogo pretende agora cruzar sua teoria com observações empíricas realizadas por outras disciplinas geológicas. "Por ora, temos apenas um modelo, e modelos estão sempre sendo revisados", pondera. "Compreender os mecanismos de distribuição de calor e de material das entranhas da Terra é um passo fundamental para entender seu funcionamento como um todo."

Pablo Pires Ferreira
Ciência Hoje/RJ
27/11/00

 

 
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