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 NOTÍCIAS :: GEOCIÊNCIAS

Himalaia 15 milhões de anos mais jovem
Pesquisadora analisa isótopos de argônio e reavalia idade da cordilheira

O Himalaia, cadeia de montanhas asiática, pode ser alguns milhões de anos mais jovem do que se pensava. É o que indica pesquisa desenvolvida pela geóloga Yani Najman na Universidade de Edimburgo (Escócia) e relatada em 8 de março na revista Nature. A análise feita por ela de isótopos de argônio sugere que a idade da cordilheira não deve ultrapassar os 40 milhões de anos -- 15 milhões a menos do que se acreditava. Assim como os Alpes na Europa e os Andes na América do Sul, o Himalaia é uma das cadeias de montanhas mais jovens do globo. Estende-se por quase 3.000 quilômetros e apresenta 70 picos com mais de 7.300 metros de altitude.

Ao centro, o Monte Everest, situado na cordilheira do Himalaia na fronteira entre Tibete e Nepal. Com cerca de 8850 metros de altitude, trata-se do ponto culminante do planeta (imagem: JSC / Nasa)

A formação das cadeias montanhosas está associada aos choques entre imensos blocos rochosos -- as placas tectônicas -- que constituem a camada sólida descontínua da superfície do planeta. Esses blocos são compostos por rochas magmáticas, formadas pelo resfriamento e cristalização do material em estado de fusão do interior da Terra, e metamórficas, que resultam de mudanças na composição mineral provocadas por elevação de temperatura e/ou pressão. O Himalaia apresenta ainda rochas sedimentares, que resultam do acúmulo de sedimentos em áreas submersas ou na superfície do terrreno.

Segundo Najman, o Himalaia pode ser dividido em cinco zonas geológicas diferentes. A zona de sutura possui vários tipos de rochas, incluindo as oceânicas. Os Himalaias superior e inferior contêm, respectivamente, rochas metamórficas e não-metamórficas da placa tectônica indiana. O sub-Himalaia é uma bacia de sedimentos removidos da cordilheira por erosão. Há ainda a zona Tethys, situada entre a zona de sutura e o Himalaia superior.

A geóloga avaliou a idade da cordilheira a partir da análise de pequenos grãos de mica branca recolhidos na formação Balakot. Situada ao norte do Paquistão, essa formação é a mais antiga bacia sedimentar continental que contém detritos provenientes da zona de sutura e rochas metamórficas do Himalaia. A idade dos isótopos de argônio presentes nas amostras revela o tempo de existência das rochas.

"Os sedimentos foram depositados mais tarde do que se imaginava", disse Najman à CH on-line. A maior parte dos grãos examinados tinha entre 36 e 40 milhões de anos. A formação Balakot deve ser ainda mais jovem, pois a rocha que recebe os sedimentos originados por erosão não pode ser mais velha do que eles. Sendo assim, a cordilheira teria surgido 15 milhões de anos depois do que se esperava.

O 'rejuvenescimento' do Himalaia exige uma reavaliação dos modelos de transformação geológica. "A determinação da idade correta dessa cadeia montanhosa permitirá uma análise mais apurada das taxas de erosão, das alterações climáticas e das mudanças químicas nos oceanos", afirma Najman. "Um conhecimento mais detalhado do desenvolvimento do Himalaia é fundamental para a compreensão de diversos processos globais."

Fernanda Marques
Ciência Hoje on-line
20/06/01

 

 
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