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 NOTÍCIAS :: GEOCIÊNCIAS

Sismologia combate proliferação de armas nucleares
Análise de registro de tremores de terra orienta investigação de atentados terroristas

Estamos acostumados a enxergar a sismologia como a ciência que estuda terremotos. No entanto, o trabalho dos sismólogos não se limita a isso: a análise de registros de tremores de terra já forneceu informações sobre atentados a bomba e testes de armas nucleares. Estudo desenvolvido pelo professor Terry Wallace, da Universidade do Arizona (EUA), mostra que a sismologia pode ajudar a combater a proliferação de armas nucleares e ataques terroristas.

Registros sísmicos permitiram determinar a pontuação na escala Richter dos abalos de terra provocados pelos atentados contra o World Trade Center em 11/09/01 (imagem: Space Imaging / satélite Ikonos)

"A idéia de que sismogramas poderiam ser usados com outras finalidades além do estudo de terremotos surgiu durante a Primeira Guerra Mundial", afirma Wallace à CH on-line. Nas trincheiras, soldados ingleses eram constantemente surpreendidos pelos disparos de armas alemãs. O primeiro ministro britânico Winston Churchill solicitou aos cientistas da Universidade de Cambridge um meio de localizar as armas inimigas para que os disparos pudessem ser revidados. "Os pesquisadores desenvolveram um método que identificava a posição das armas de acordo com a análise dos tremores de terra produzidos pelo lançamento dos projéteis", conta Wallace.

Ao longo do século 20, cientistas identificaram diversos registros sísmicos que não estavam associados a terremotos. "Em 1945, quando os EUA testaram a primeira bomba atômica, a explosão foi registrada por sismógrafos localizados a centenas de quilômetros do campo de teste." Nesse caso, sismólogos determinaram a hora precisa em que a explosão ocorreu. Nos anos 1950, a ciência que monitorava testes nucleares por meio de sismogramas foi batizada de 'sismologia forense' por cientistas ingleses.

Na década de 1990, institutos de todo o mundo se organizaram em uma grande rede com o intuito de facilitar a troca de informações sobre eventos sísmicos. Nos últimos anos, cientistas trabalham para definir com maior exatidão o significado de cada sinal em um sismograma.

"Em 1998, quando a embaixada dos EUA no Quênia sofreu um atentado, sismogramas revelaram o momento exato em que aconteceu o ataque e a quantidade de explosivos utilizada", diz Wallace. Esses dados ajudaram o FBI em suas investigações. Em agosto de 2000, o submarino russo Kursk afundou no mar de Barents (Círculo Polar Ártico) e seus 118 tripulantes morreram. Em princípio, levantou-se a hipótese de que o acidente fora causado por uma colisão, mas registros feitos por sismógrafos na Escandinávia mostraram que uma explosão nuclear teria provocado o naufrágio.

Registros sísmicos foram utilizados para estudar o atentado de 11 de setembro de 2001 em Nova York. Até agora, os cientistas já determinaram a hora exata em que os aviões se chocaram contra o World Trade Center e em que os prédios desmoronaram, bem como a pontuação na escala Richter dos abalos de terra provocados.

Fernanda Marques
Ciência Hoje on-line
12/07/02

 

 
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