As teorias de Milton Santos são grandes responsáveis pela renovação crítica da geografia brasileira e mundial. Sua morte privou a nova geração das palestras nas quais ele expunha suas idéias e visões de mundo. A relevância de sua obra -- que ainda influenciará por muito tempo estudiosos da geografia humana -- incentivou a Editora da Universidade de São Paulo (Edusp) a criar a Coleção Milton Santos, que reúne os principais livros do geógrafo, em sua maioria já esgotados.
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Por uma geografia nova e A natureza do espaço inauguram a Coleção Milton Santos da Edusp, que relançará 31 dos 40 livros do geógrafo | | |
Os relançamentos da coleção foram iniciados com Por uma geografia nova (1978) e A natureza do espaço (1996), já nas livrarias. Os livros resultam da insatisfação de Milton com a geografia da época, que segundo ele discutia mais a disciplina que o objeto da ciência geográfica: o espaço. Isso o motivou a escrever o que chamava de seu 'ambicioso projeto': uma série de cinco volumes dedicados exclusivamente ao tema.
Por uma geografia nova é fruto de um trabalho transdisciplinar, no qual Milton busca nas ciências sociais, na filosofia e até nas ciências exatas um melhor conhecimento do espaço humano, que ele caracteriza como "a casa do homem e também sua prisão". A intenção é fazer uma revisão crítica da evolução da geografia e buscar sua renovação.
A natureza do espaço, resultado de quase 25 anos de pesquisa, completa o projeto de Milton. O livro é dividido em 4 partes, que correspondem a bases da construção de uma teoria social crítica, e propõe uma definição de espaço sobre a qual se possa construir uma análise coerente e então formular problemas e visualizar conceitos. Milton apresenta perspectivas relacionadas à ação espacial e social e propostas de mudanças para a geografia e as ciências sociais.
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Milton Santos é considerado por seus pares o maior geógrafo brasileiro (foto: Oswaldo José dos Santos/Agência USP) | | |
O baiano Milton Santos (1926-2001) era formado em direito, mas trocou a profissão de advogado pela de professor de geografia, que exercia desde os 15 anos. Suas pesquisas logo se voltaram para o aspecto humano da disciplina, e seu maior interesse era compreender o homem dentro de seu espaço social. Acreditava que o estudo da geografia devia passar pelos conceitos -- era um incentivador dos debates, das discussões teóricas e da retomada dos autores clássicos --, e pela análise de casos, tema de suas primeiras obras.
Milton foi um grande crítico da globalização atual, à qual se referia como globalitarismo (união dos conceitos de globalização e totalitarismo). Influenciado pelas idéias de Jean-Paul Sartre sobre a experiência da escassez, acreditava que os pobres seriam os deflagradores de uma nova globalização. Em 53 anos de pesquisas, publicou 40 livros; o último O Brasil: território e sociedade no início do século 21, já no ano de sua morte.
Os próximos relançamentos da coleção -- Economia espacial: críticas e alternativas e O espaço dividido: os dois conceitos da economia urbana dos países subdesenvolvidos -- ocorrerão em maio, durante a bienal do Rio de Janeiro. Ao todo, serão reeditados