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Bactéria causadora da praga do amarelinho, a Xylella atinge principalmente frutas cítricas - sua principal vítima é a laranja-pêra. Os frutos afetados crescem pouco e amadurecem cedo. O suco das laranjas contaminadas apresenta sabor ácido e as cascas das frutas ficam duras ao ponto de ser difícil cortá-las com faca. As folhas apresentam pontos amarelados, daí o nome pelo qual a doença é conhecida.



A conclusão do mapeamento genético da Xylella fastidiosa foi anunciada por cientistas paulistas em fevereiro. A pesquisa, desenvolvida por uma equipe que envolveu 35 laboratórios e 192 pesquisadores, começou em outubro de 1997 e terminou seis meses antes do previsto. Com o custo de R$ 12 milhões, o mapeamento foi financiado pela Fapesp e pelo Fundo Paulista de Defesa da Citricultura. O projeto recebeu a medalha de Mérito Científico e Tecnológico, conferida pelo governo do estado de São Paulo.

 

 NOTÍCIAS :: GENÉTICA

Genes de bactéria em biochip
Tecnologia de ponta pode contribuir para o combate da praga do amarelinho

Os genes da Xylella fastidiosa, a bactéria causadora da praga do amarelinho, serão inscritos em um biochip. O objetivo do uso dessa tecnologia de ponta é descobrir os mecanismos pelos quais a bactéria consegue sobreviver dentro da planta hospedeira. A pesquisa está sendo desenvolvida por cientistas da Universidade de Mogi das Cruzes (UMC), em São Paulo, que integraram a equipe que mapeou o genoma da bactéria. A iniciativa, tão importante quanto o projeto original, é pioneira na genética brasileira, e pode encontrar a solução para eliminar o amarelinho, que ataca 34% dos pomares paulistas. O estudo faz parte do Programa Projeto Genoma Funcional, da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

O biochip desenvolvido por pesquisadores da Universidade de Mogi das Cruzes (SP) pode ajudar a eliminar a praga do amarelinho, que ataca frutas cítricas

O ponto de partida da pesquisa é um biochip construído com os próprios genes da Xylella fastidiosa. Ele consiste em uma lâmina de vidro que contém todos os quase três mil genes da bactéria, ordenados um a um e separados por uma distância de 10^(-12)m. Para realizar a microscópica tarefa de ordenar espacialmente os genes, os cientistas utilizaram um braço mecânico de alta precisão conhecido por microarrayer.

Segundo Luiz Roberto Nunes, biólogo da UMC, o biochip é uma ferramenta relativamente nova na história da biologia molecular. "Este é o primeiro biochip feito no Brasil que envolve todos os genes de um só organismo", afirma Nunes, que divide a coordenação da pesquisa com a farmacêutica Regina Costa de Oliveira.

O processo pelo qual o biochip identifica a ação de cada gene é conhecido por hibridização de RNA marcado. Os pesquisadores marcam por meio de uma iluminação especial os RNAs (ácidos ribonucléicos), moléculas produzidas no interior da célula bacteriana por seus genes ativos. Essas moléculas são introduzidas no biochip e, devido a sua natureza complementar, associam-se aos genes que as produziram. Assim, é possível identificar os genes responsáveis pela interação da bactéria com a planta e que provocam a doença do amarelinho.

As informações obtidas podem ajudar a desenvolver mecanismos eficazes de combate à doença. O biochip é um aliado fundamental para os pomares paulistas poderem retomar o tom esverdeado de suas folhas e o agradável sabor de suas laranjas.

Rachel Ruiz Romano
Ciência Hoje/RJ

 

 
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