|
Mapeado o cromossomo 21
Geneticista brasileiro avalia impacto da descoberta
A conclusão do mapeamento do cromossomo 21, relatada na edição de 18 de maio da revista Nature, foi acolhida com otimismo pela comunidade científica. Analisado por uma equipe de cientistas do Japão, Estados Unidos e Europa, o 21 teve 99,7% de sua estrutura desvendada, o que significa cerca de 33,5 milhões de pares de bases (as unidades da seqüência genética) descritos com precisão.
 |
|
Antes do 21, apenas o cromossomo 22 havia sido seqüenciado | | |
O geneticista Darcy Fontoura de Almeida, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, considera a descoberta "mais um grande passo para o Projeto Genoma Humano" - iniciativa que pretende mapear todos os genes do homem até 2003. Mas Darcy acredita que a tecnologia deve se banalizar em breve. "Quando forem mais constantes, mapeamentos de cromossomos serão notícia de página interna."
Segundo os pesquisadores que realizaram o mapeamento, o cromossomo 21 representa em torno de um a um e meio por cento do genoma humano. Com cerca de 300 genes, ele é o menor dos cromossomos autossômicos (ou não sexuais). Após o seqüenciamento, os cientistas estimam que o genoma humano tenha 40 mil genes, bem menos que os 100 mil previstos inicialmente.
A técnica pela qual foi feito o mapeamento foi a mesma utilizada por outro grupo de cientistas para seqüenciar o cromossomo 22, em dezembro de 1999: trechos do DNA foram isolados e clonados em bactérias, gerando assim "cromossomos artificiais". Cada clone foi seqüenciado separadamente e, em seguida, os resultados obtidos foram novamente reunidos. "A técnica equivale a picotar as folhas de um livro e reconstituí-lo a partir de cada pedacinho de palavra", compara Darcy Fontoura de Almeida.
O projeto alimenta a esperança de cura para doenças genéticas. "Mas ainda não se sabe ao certo como fazer, essa tecnologia está engatinhando", alerta Darcy. Segundo ele, houve casos em que a terapia gênica provocou a morte de pacientes.
Sabe-se desde 1959 que a síndrome de Down está ligada ao cromossomo 21. Ela ocorre quando, por anomalia genética, uma criança nasce com três exemplares desse cromossomo, em vez de apenas um par. Os cientistas que fizeram o seqüenciamento concluíram que o cromossomo 21 pode estar por trás também do mal de Alzheimer e da esclerose lateral amiotrófica, uma doença degenerativa que causa paralisia.
Rachel Ruiz Romano Ciência Hoje/RJ |