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 NOTÍCIAS :: GENÉTICA

Novas técnicas de combate à malária
Mosquito transgênico pode impedir a propagação da doença

Novas formas de controle estão sendo desenvolvidas para conter a propagação da malária, a doença infecciosa que mais mata no mundo. Um projeto internacional de pesquisa da Organização Mundial de Saúde (OMS) busca meios eficientes de controlar a moléstia. Participam laboratórios da Alemanha, Estados Unidos, Inglaterra, Grécia e Itália, além do Laboratório de Entomologia da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio de Janeiro. Novas técnicas já estão surgindo, e ainda que estejam em fase experimental, já vêm obtendo resultados animadores.

Ovo e embrião do mosquito anófeles, vetor da malária

A OMS estima que 2 bilhões de pessoas (ou 35% da população mundial) vivam em áreas endêmicas e estejam sujeitas à malária. As formas atuais de controle da doença, com o uso de inseticidas e quimioterápicos, vêm se tornando ineficazes. Além de a maior parte dos mosquitos vetores da moléstia terem desenvolvido resistência a essas substâncias, elas são dispendiosas e causam grande impacto ambiental.

No projeto da OMS, cada grupo de pesquisadores trabalha em uma forma diferente de controle da malária. No Brasil, a missão cabe à equipe da bióloga Denise Valle. Com a engenharia genética, ela manipula uma parte dos genes do anófeles, mosquito em que se desenvolve o plasmódio - parasita causador da doença. A modificação pretende impedir que o plasmódio se reproduza no interior do intestino do mosquito. Para garantir que os genes modificados se transmitam ao longo de várias gerações, a equipe trabalha com os chamados "elementos de transposição". Eles têm a propriedade de "saltar" para outros genes, ampliando a chance de serem passados adiante. Com isso, espera-se que a malária esteja finalmente sob controle em um espaço de 50 gerações do inseto.

A pesquisa está em fase inicial, e ainda não há estimativas sobre quando e como a nova técnica será posta em prática. De acordo com Denise Valle, os estudos realizados até o momento não levaram a nenhuma contra-indicação para seu uso. Ela assume que há, entretanto, o risco de que o processo acabe tornando-se ineficaz. Ao longo do tempo, o plasmódio pode adquirir resistência à proteína dirigida ao impedimento de sua reprodução, voltando a duplicar-se normalmente.

Leonardo Cosendey
Ciência Hoje/RJ

 

 
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