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Concluído o primeiro rascunho do genoma humano
Anúncio é recebido como um marco na história da ciência
Uma importante página da história da ciência foi virada em 26 de junho de 2000, com o anúncio da conclusão do primeiro rascunho com a seqüência quase completa do genoma humano. Após mais de dez anos de pesquisas, já foram mapeados e seqüenciados cerca de 97% dos cerca de 3,1 bilhões de pares de bases nitrogenadas que compõem a totalidade dos genes da espécie humana. Esses genes contêm as instruções que determinam várias características dos seres humanos.
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97% das unidades do genoma humano já foram seqüenciadas | | |
O anúncio foi realizado simultaneamente nas capitais dos Estados Unidos e da Inglaterra pelos líderes dos dois países e por representantes dos dois grupos concorrentes que pesquisavam paralelamente o seqüenciamento completo do código genético. De um lado, o Projeto Genoma Humano, um consórcio público de cientistas de 18 países, coordenado por Francis Collins. De outro, a empresa privada norte-americana Celera Genomics, dirigida por Craig Venter.
O rascunho do genoma é apenas uma etapa no conhecimento do código genético humano. Só se sabe, por enquanto, a ordem da maioria dos pares de bases. Não se conhecem ainda os genes formados pela seqüência dessas unidades (o número total de genes do genoma humano é estimado entre 60 e 100 mil). "Esse foi só o primeiro passo", pondera o geneticista Francisco Salzano, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). "O mais importante é saber as funções de cada gene."
O seqüenciamento do genoma humano aponta para uma nova era na medicina, e abre a perspectiva para o desenvolvimento de tratamento de doenças determinadas pelos genes ou para a possibilidade de diagnosticar moléstias vários anos antes de elas surgirem. No entanto, conhecer as unidades do genoma é apenas uma premissa para o desenvolvimento dessas terapias gênicas. Ainda resta muito trabalho a fazer: pesquisas com esse fim devem começar a ser elaboradas agora, e seus resultados podem demorar dezenas de anos para serem conhecidos. Além disso, não se deve esperar que a conclusão definitiva do genoma abra as portas para a cura de todas as doenças. "Há vários outros fatores além dos genes na origem das doenças", lembra Salzano.
A conclusão do primeiro rascunho do genoma humano foi recebida com muito otimismo pela comunidade acadêmica internacional. O impacto da descoberta já foi comparado ao da descoberta da roda ou da chegada do homem à Lua. Segundo escreveu o geneticista Andrew Simpson na Folha de São Paulo, o anúncio do seqüenciamento marca a "transformação da biologia humana em uma ciência exata".
Leonardo Cosendey Ciência Hoje/RJ 27/06/00 |