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 NOTÍCIAS :: GENÉTICA

Gene ligado ao metabolismo da obesidade
Estudo associa acúmulo de gordura e haplótipos em populações indígenas

Um dos genes relacionados ao metabolismo da obesidade foi identificado durante uma pesquisa com cinco populações indígenas. Pesquisando o gene receptor conhecido como LPRL, geneticistas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) verificaram que os índios tendiam a ser mais gordos quando a ocorrência de um haplótipo (combinação específica de marcadores genéticos em uma determinada região do gene) era mais freqüente. O estudo foi publicado na revista alemã Human Genetics e faz parte de um programa que estuda o metabolismo de gorduras em povos latino-americanos.

Ao contrário de outros genes conhecidos ligados ao ganho de peso, o LPRL, presente em qualquer ser humano, seria exclusivo da obesidade

O código genético das tribos gavião, zoró e suruí, em Rondônia, xavante, no Brasil central, e wai-wai, no Amazonas, foi comparado a partir da seleção de cerca de 30 amostras de sangue de cada uma. Essa escolha foi feita porque, devido ao isolamento geográfico, os povos indígenas são mais homogêneos do ponto de vista genético - o casamento ocorre entre pessoas geneticamente relacionadas, permitindo a conservação dos genes por gerações. A existência de um padrão genético torna mais precisa a avaliação das mudanças.

Primeiramente, o DNA dos índios foi analisado e estudado em relação a cinco regiões específicas do gene LPRL. Esse gene funciona como receptor de lipoproteínas de baixa densidade, que são uma combinação de proteínas e ácidos graxos (gordura). Em seguida, o resultado de cada indivíduo foi comparado com seus marcadores antropométricos - o índice de massa corporal (peso dividido pela altura) e a medida das pregas cutâneas (gordura subcutânea). Somente a tribo wai-wai ainda não passou por essa comparação, que requer a ida do pesquisador à tribo e a localização de cada indivíduo.

O estudo mostrou que todos os índios que tinham maior massa corporal maior e acúmulo de gordura se comparados aos magros possuíam maior quantidade de haplótipos. Eles apresentavam tendência à obesidade, embora não fossem obesos. No entanto, segundo Francisco Salzano, geneticista da UFRGS envolvido no projeto, o fato não invalida o estudo, pois descobriu-se apenas um dos fatores que provocam a obesidade, que depende também de alimentação e sedentarismo. "Esse é apenas mais um ponto dentro de um panorama global", afirma. "Agora é preciso aplicar a pesquisa em populações não-indígenas em conjunto com outros marcadores."

Thaís Fernandes
Ciência Hoje/RJ
17/11/00

 

 
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