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 NOTÍCIAS :: GENÉTICA

Brasil desenvolve biochip do Trypanosoma cruzi
Técnica permite analisar expressão genética do causador do mal de Chagas

O primeiro biochip do país construído com genes do parasita Trypanosoma cruzi, causador da doença de Chagas, foi desenvolvido pelo Instituto Oswaldo Cruz, pela Universidade de Mogi das Cruzes e pelo Instituto de Biologia Molecular do Paraná. O projeto, coordenado por Marco Aurélio Krieger, Samuel Goldenberg, Regina Oliveira e Luiz Nunes, possibilita a análise simultânea de milhares de genes do microorganismo.

Leitor e lâminas usados na elaboração do biochip do T. cruzi

O biochip, também chamado microarray, é o aprimoramento de uma técnica para detectar a expressão de genes de uma célula. Ele consiste no arranjo de trechos do DNA de um organismo em proporções microscópicas em uma lâmina de vidro, comportando até 30 mil pedaços (o método usado anteriormente - um procedimento manual - limitava esse número a uma centena). Os pedaços de DNA são organizados na lâmina do microscópio por um robô e identificados por um software.

Paralelamente, o RNA do parasita é extraído em diferentes fases de sua vida (formas infectiva e não-infectiva) - pois alguns genes só se manifestam em determinadas épocas. Em seguida, ele é marcado por fluorescência com cores diferenciadas e, ao ser colocado na lâmina, reconhece seu DNA complementar e junta-se a ele (processo chamado hibridação). Um leitor laser detecta então a fluorescência e identifica, baseado nas cores, os genes envolvidos no processo pelo qual o parasita assume sua forma infectiva. Quando está no trato digestivo do barbeiro, seu inseto transmissor, o T. cruzi apenas multiplica-se, não sendo capaz de infectar seres humanos. Ele só se torna infeccioso quando se aproxima da região do ânus do inseto e deixa de se reproduzir.

O biochip do parasita, desenvolvido durante seis meses, utilizou mil genes - que já estavam disponíveis em bancos de dados mundiais de projetos de seqüenciamento -, possibilitando a descoberta dos mecanismos envolvidos na regulação da expressão gênica do T. cruzi. Agora, os pesquisadores pretendem construir um biochip com cinco mil genes, o que permitirá a identificação de novos genes do parasita, cujo genoma ainda não foi inteiramente seqüenciado.

Além de analisar a atuação dos genes em fases diferentes da vida do T. cruzi, o biochip pode trabalhar com cepas diferentes do parasita, como as resistentes ou não a drogas. "Poderemos pensar no desenho racional de fármacos mais eficazes para o tratamento da doença de Chagas", diz Marco Aurélio Krieger, pesquisador do Instituto Oswaldo Cruz.

Thaís Fernandes
Ciência Hoje/RJ
27/11/00

 

 
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