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 NOTÍCIAS :: GENÉTICA

Contribuição brasileira para o genoma humano
Cientistas identificam 219 novas seqüências transcritas no cromossomo 22

Uma 'releitura' que pesquisadores brasileiros fizeram do cromossomo 22 - o primeiro do genoma humano a ser inteiramente decifrado - levou-os à descoberta de 219 seqüências transcritas não identificadas anteriormente. A descoberta foi divulgada em 7 de novembro na revista Proceedings of the National Academy of Sciences, em um artigo de 79 autores encabeçados por Sandro de Souza.

Novos fragmentos foram identificados graças a um método brasileiro de seqüenciamento genético capaz de identificar genes raros

O estudo foi feito a partir de fragmentos seqüenciados no Programa Genoma Humano do Câncer (iniciativa do Instituto Ludwig de Pesquisas sobre o Câncer e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo - Fapesp), que pretende descrever genes expressos em tumores comuns no Brasil - de mama, cólon, estômago, cabeça e pescoço. Os brasileiros compararam seus dados com o seqüenciamento do cromossomo 22 concluído em dezembro de 1999 pela equipe do britânico I. Dunham. Os resultados acrescentam 219 novas seqüências aos 545 genes previamente identificados. Das 219, 48 nunca haviam sido descritas antes.

A descoberta das novas seqüências pode ser creditada ao método de seqüenciamento genético desenvolvido por Emmanuel Dias-Neto sob a orientação do britânico Andrew Simpson, ambos pesquisadores do Instituto Ludwig e co-autores do estudo. A técnica, batizada Orestes (sigla para Open reading frames EST sequences), descreve a informação contida na porção central das moléculas de RNA mensageiro, ao passo que as técnicas tradicionalmente usadas partem de suas extremidades. O método Orestes permite ainda a identificação de genes raros, dificilmente localizáveis pelos meios convencionais.

Segundo Anamaria Aranha Camargo, geneticista do Instituto Ludwig e co-autora do artigo, "o estudo mostra que Orestes é uma ferramenta realmente poderosa para a identificação de seqüências transcritas do genoma humano". A pesquisadora acredita que, se fosse refeita hoje, a releitura do cromossomo 22 encontraria ainda mais seqüências transcritas 'inéditas'. Na época em que o estudo foi feito, o Programa Genoma Humano do Câncer havia identificado 250 mil fragmentos de genes expressos. Hoje, o número já chega a quase 900 mil.

Segundo Anamaria, os pesquisadores envolvidos no projeto pretendem reler todo o genoma humano com o método Orestes para encontrar seqüências não identificadas. A descoberta de novos fragmentos no cromossomo 22 leva os cientistas a reavaliar a extensão do genoma humano, estimada em 36.000 genes pela equipe de Dunham. "É preciso gerar muitos dados antes de se ter idéia da dimensão exata", afirma Anamaria. "Mas a conclusão óbvia é que as primeiras estimativas estão muito abaixo do número real de genes."

Bernardo Esteves
Ciência Hoje/RJ
28/11/00

 

 
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