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 NOTÍCIAS :: GENÉTICA

Brasil decifra genoma de novo fitopatógeno
Anunciado fim do seqüenciamento da bactéria causadora do cancro cítrico

Foi anunciada em 4 de janeiro a conclusão do seqüenciamento do genoma da Xanthomonas axonopodis p.v. citri, bactéria causadora do cancro cítrico. O mapeamento foi feito por 14 laboratórios paulistas da Organização para Seqüenciamento e Análise de Nucleotídeos (Onsa, na sigla em inglês) e financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

A Xanthomonas citri provoca o cancro cítrico, doença caracterizada por lesões parecidas com feridas salientes em folhas, frutos e ramos fotos: Fundecitrus

O seqüenciamento foi iniciado em outubro de 1999 e levou quinze meses para ser concluído. O genoma da Xanthomonas citri tem aproximadamente 5,2 milhões de pares de bases (unidades constituintes do DNA) e cerca de 400 genes distribuídos em um cromossomo e dois plasmídeos. Isso equivale a perto do dobro do tamanho do genoma da bactéria Xylella fastidiosa, também seqüenciado pela Onsa. Até aqui, a Xylella é o único agente causador de doenças em plantas que teve seu genoma seqüenciado e publicado.

Terminado o seqüenciamento, os pesquisadores devem ainda realizar a anotação dos genes - localização das seqüências de nucleotídeos que correspondem a genes e identificação de suas funções -, que já foi 70% concluída, e a análise funcional - demonstração experimental da função dos genes. Em seguida, os cientistas devem elaborar um artigo descrevendo o genoma da bactéria para publicação em uma revista científica internacional. Segundo um dos coordenadores do projeto, o biologista molecular Jesus Aparecido Ferro, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), o artigo deve estar pronto no final de março de 2001.

A única forma de se combater o cancro cítrico é arrancar as árvores contaminadas e as vizinhas em um raio de 30 metros


O seqüenciamento do genoma da Xanthomonas citri permitirá abrir novas linhas de pesquisa para combater o cancro cítrico, que ataca os pomares de laranja e provoca grandes prejuízos. Atualmente, não há controle químico para a doença. A única solução é arrancar as árvores contaminadas e as vizinhas em um raio de 30 metros. A região fica inutilizável para a agricultura por dois anos. Desde 1997, quase quatro milhões de árvores e mudas foram arrancadas devido ao cancro cítrico, que provocou um prejuízo de R$ 300 milhões em 2000.

Além disso, o seqüenciamento é importante também porque outras bactérias do gênero Xanthomonas atacam diversas plantações de grande importância econômica, como arroz, feijão ou algodão. "Conhecer uma delas ajuda a entender melhor as outras", afirma Jesus Ferro.

Bernardo Esteves
Ciência Hoje/RJ
08/01/01

 

 
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