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 NOTÍCIAS :: GENÉTICA

Conversão de folhas em órgãos de flor
Novos genes associados ao desenvolvimento do aparelho reprodutor de plantas

Uma classe de genes que controla diversos aspectos do desenvolvimento das flores foi descoberta por uma equipe de cientistas da Universidade da Califórnia em San Diego (Estados Unidos). Estudos feitos com a espécie Arabidopsis thaliana mostraram que esses genes, associados a outros três já conhecidos e também ligados à formação do aparelho reprodutor das plantas, podem converter folhas em diversos órgãos da flor.

Dois exemplares de Arabidopsis geneticamente modificados para que suas folhas se convertam em pétalas (foto: Soraya Pelaz/UCSD)

As flores são o aparelho reprodutor das plantas. Os órgãos que as constituem são dispostos em círculos concêntricos. O círculo externo é formado por um cálice de sépalas - órgãos mais parecidos com folhas e que envolvem o botão antes de ele se abrir. O círculo interno é formado por pétalas. No centro da coroa de pétalas, estão os órgãos reprodutores: os estames são os masculinos, e os carpelos, onde são guardados os óvulos, os femininos.

Há mais de 200 anos, os botânicos já suspeitavam que sépalas, pétalas, estame e carpelo constituíam folhas com algumas modificações genéticas. "Agora, conseguimos comprovar essa idéia, pois descobrimos os genes envolvidos no processo que converte folhas em órgãos de flores", disse à CH on-line o biólogo Martin Yanofsky, coordenador da pesquisa.

Em 11 de maio de 2000, a equipe de Yanofsky publicou um artigo na revista Nature que descrevia a descoberta de um trio de genes idênticos, chamados SEP 1/2/3, que atuam no desenvolvimento das flores. A ausência dos genes SEP produz uma anormalidade no aparelho reprodutor das plantas e transforma pétalas, estames e carpelos em sépalas. O fenômeno, chamado de double flowers (flores duplas), já era conhecido, mas até então, nenhum cientista tinha conseguido explicá-lo. "Quando isolamos uma Arabidopsis mutante, na qual faltavam os genes SEP, ela produziu flores duplas", afirma Yanofsky.

Segundo os pesquisadores, os genes SEP agem em conjunto com outros três genes já conhecidos que possuem funções específicas na formação dos órgãos das flores (no artigo da Nature, eles são chamados A, B e C). "Os estudos indicam que as proteínas dos genes SEP podem ser necessárias para a atividade dos genes B e C", explica Yanofsky.

Em experiências mais recentes com a Arabidopsis, os cientistas descobriram que os genes A, B e C, assim como dois dos genes SEP, não se expressam nas folhas. Eles decidiram então produzir plantas capazes de expressar esses cinco genes em suas folhas. Segundo Yanofsky, foi uma tarefa difícil, mas satisfatória. "Agora sabemos como converter folhas das mais variadas espécies de plantas em órgãos de flores", disse o biólogo. "Imagine uma rosa com um talo comprido que tenha, no lugar das folhas, pétalas coloridas."

Andressa Camargo
Ciência Hoje/RJ
09/02/01

 

 
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