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 NOTÍCIAS :: GENÉTICA

Gene ligado a distúrbio do ritmo circadiano
Identificada pela primeira vez a causa genética para um comportamento humano

Os hábitos notívagos ou diurnos de alguns indivíduos são influenciados por aspectos psicológicos e culturais. Recentemente, foram apontados os primeiros fatores bioquímicos que determinam nos seres humanos o ritmo circadiano - o conjunto de fenômenos biológicos que se repetem com freqüência de 24 horas, como sono, vigília ou temperatura do corpo. Pesquisadores da Universidade de Utah (Estados Unidos) identificaram um gene humano chamado hper2 envolvido em uma disfunção do ritmo circadiano. O trabalho foi coordenado pelos geneticistas Ying-Hui Fu e Louis Ptácek e publicado na revista Science em 2 de fevereiro de 2001.

Indivíduos atingidos pela FASPS tendem a dormir às 19:30 e despertar às 04:30

Os cientistas identificaram o gene responsável por um fenômeno conhecido como 'síndrome familiar de sono avançado' (FASPS, na sigla em inglês). Não se trata propriamente de uma doença, mas de um padrão anormal de sono que acomete os membros de uma família, que normalmente dormem por volta de 7:30h da noite e acordam, no mais tardar, em torno de 4:30h da manhã.

A FASPS, identificada em 2000 pelos cientistas da Universidade de Utah, é o primeiro distúrbio conhecido do ritmo circadiano em humanos. Para identificar o gene responsável por ele, a equipe de Fu e Ptacék se baseou nos resultados do seqüenciamento genético da mosca Drosophila melanogaster, que apontaram o gene responsável por distúrbios no ritmo circadiano dos insetos.

Os pesquisadores observaram membros de uma família em que todos os indivíduos eram atingidos pela FASPS. "Ainda que essa família se mude para uma região de fuso horário diferente, em poucas semanas seu relógio biológico se adapta e eles retornam ao mesmo padrão de sono", contou Ptácek à CH on-line. Sua equipe identificou nessa família uma mutação do gene per2, análogo ao encontrado na mosca anteriormente. Agora, os pesquisadores estão investigando como essa mutação pode levar a distúrbios do ritmo circadiano.

O estudo pode ajudar a resolver problemas ligados ao sono que não sejam de ordem psicológica ou cultural, ou colocar em questão antigos padrões de comportamento social, como horários de trabalho ou escolares. Os cientistas pretendem ainda identificar outros genes ligados ao sono em seres humanos.

Este é o primeiro caso de um comportamento humano com causa genética que teve seu gene identificado. A identificação de genes ligados ao comportamento é mais complicada que a daqueles associados a doenças, devido à dificuldade de se identificar e categorizar comportamentos humanos - como a tendência de acordar cedo.

Pablo Pires Ferreira
Ciência Hoje/RJ
14/02/01

 

 
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