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Descobertos genes associados ao desenvolvimento de olhos
Trecho de DNA bloqueado impede que nervo óptico se ligue a cérebro em peixe
Dois genes distintos identificados por pesquisadores da Universidade de Utah (EUA) podem estar associados aos comandos de formação do sistema óptico. O primeiro, descrito na revista Science de 20 de abril, parece ser indispensável para que os nervos dos olhos se conectem às partes do cérebro que processam a informação visual. O segundo, apresentado em 10 de abril na revista Proceedings of the National Academy of Sciences, está ligado ao controle das proteínas necessárias para o desenvolvimento dos olhos.
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A ação exagerada de um gene responsável pelo desenvolvimento do sistema óptico levou ao surgimento de um terceiro olho em girinos (foto: University of Utah) | | |
O primeiro grupo de cientistas fez experiências com um embrião de peixe-zebra e demonstrou que, quando a ação do gene identificado é bloqueada, as fibras nervosas que nascem nos olhos do embrião se perdem no caminho até o cérebro. Para observar em detalhes como isso ocorre, os pesquisadores pingaram corante fluorescente nos olhos do peixe. Segundo a neurologista Cornelia Fricke, coordenadora do projeto, ao iluminar o nervo, o corante permite que ele seja analisado através do microscópio. O geneticista brasileiro Francisco Salzano, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), afirma que a ligação entre genética e oftalmologia não é novidade. "O mais significativo nesse trabalho foi a descoberta de como determinado gene se expressa", diz.
O segundo grupo de cientistas identificou um gene, chamado Xfz3, que pode estar associado ao processo de formação dos olhos. Segundo Jennifer Rasmussen, uma das neurobiólogas envolvidas com a pesquisa, o grupo estava a princípio analisando a relação do Xfz3 com o sistema nervoso. Entretanto, quando o gene foi testado em embriões de sapos, nenhuma alteração nervosa foi observada. Em compensação, a experiência afetou diretamente o sistema óptico dos girinos e fez com que eles desenvolvessem três olhos ao invés de dois.
Os embriões de sapo também desenvolveram um terceiro olho quando em seus ovos foi injetado material genético de um outro gene, o Pax6. A equipe de Rasmussen acredita que os dois genes ajam em conjunto, e suspeita que o Xfz3 seja responsável pela síntese de uma proteína específica que desencadeia a ação do Pax6, responsável pela formação dos olhos.
Os cientistas afirmam que os genes identificados em seus estudos também estão presentes no desenvolvimento do sistema óptico humano. Rasmussen explica que as pesquisas realizadas em Utah podem abrir portas para a fabricação em laboratório de retinas ou outras partes do olho que poderão ajudar no tratamento de pessoas com problemas de visão. Segundo Francisco Salzano, a produção in vitro de partes do sistema óptico para serem uso em transplantes é viável, mas ainda está um pouco distante. "Felizmente, o progresso na área da genética humana tem sido fantástico."
Andressa Camargo Ciência Hoje/RJ 14/05/01 |