|
Gene regula retenção de água em plantas
Descoberta pode levar ao desenvolvimento de espécies resistentes à seca
O gene responsável por controlar a retenção de água nas plantas foi identificado por pesquisadores das Universidades da Carolina do Norte e Estadual da Pensilvânia (EUA). O estudo, publicado em 15 de junho na revista Science, pode ajudar no desenvolvimento de culturas mais resistentes à seca, um objetivo perseguido por agrônomos há décadas.
 |
|
A Arabidopsis thaliana, parente da mostarda, couve e repolho, é considerada um organismo modelo para estudos em genética vegetal | | |
A descoberta nasceu de um estudo sobre o gene que codifica a proteína-G na Arabidopsis thaliana -- a planta mais usada em pesquisas genéticas. Essa proteína é responsável pela regulação de sinais externos, como a luz e hormônios que controlam o desenvolvimento da planta. Quando os pesquisadores desenvolveram plantas mutantes em que esse gene se tornou inativo, constataram que as plantas murcharam. O resultado levou-os a suspeitar que o gene também era responsável pela retenção de água nas plantas.
O controle da retenção de água é feito por poros, conhecidos como estômatos (além disso, é através dos estômatos que a planta realiza as trocas gasosas com o ambiente, como a respiração e a fotossíntese). O tamanho da abertura dos estômatos é regulado por um hormônio, e células-guarda controlam quando os poros devem abrir e fechar. Os cientistas constataram que as plantas com o gene inativo não respondiam normalmente a esse hormônio, e por isso as plantas murcharam.
Quando as plantas abrem os poros para trocar o oxigênio que produzem com o gás carbônico que consomem, há uma inevitável perda de água para o ambiente. Se o solo fica seco, por falta de chuva, as células-guarda aumentam de tamanho para fechar as aberturas dos estômatos, e assim reduzem a perda de água.
Ao descobrir o gene responsável por esse processo, os cientistas esperam desenvolver culturas de plantas mutantes mais resistentes à seca. "Poderíamos induzir a ativação do gene mutante, e assim a planta poderia resistir à seca", disse Alan Jones, biólogo que coordenou o estudo. Para que o fechamento do estômato não comprometa a fotossíntese, o gene mutante teria que ser ativado apenas no início da estiagem.
Para o doutorando em biologia Hemayeth Ullah, que participou da pesquisa, ainda é cedo para prever eventuais conseqüências econômicas da descoberta para países que -- como o Brasil -- enfrentam a seca: "Por vir de Bangladesh, sei o quanto as secas podem ser desastrosas para um país. Nossa pesquisa criou as bases para que possamos desenvolver culturas resistentes em um futuro próximo" disse em entrevista à CH on-line.
Tiago Lethbridge Ciência Hoje on-line 06/07/01 |