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 NOTÍCIAS :: GENÉTICA

Bactéria mutante contra praga do amarelinho
Xylella fastidiosa com DNA alterado pode combater doença que ataca laranjais paulistas

Pesquisadores do Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus) desenvolveram mutantes da bactéria Xylella fastidiosa. Esse microorganismo causa a clorose variegada dos citros, doença responsável pela perda anual aproximada de um terço dos laranjais do estado de São Paulo. Os cientistas acreditam que os mutantes possam anular a capacidade da X. fastidiosa de provocar a 'praga do amarelinho', nome popular da moléstia.

Os frutos atacados pela 'praga do amarelinho' são pequenos e duros. Observe a diferença de tamanho entre as laranjas sadias e doentes no galho (esq.) e depois de colhidas (dir.) (fotos: Henrique Santos/Fundecitrus)

A doença surge quando aglomerados de X. fastidiosa instalam-se nos vasos condutores de seiva bruta das plantas, chamados xilema, por onde passam água e sais minerais. Eles produzem uma goma, que bloqueia o xilema e impede a circulação dos nutrientes na planta. A função da goma é concentrar alimento para as bactérias, fixá-las no tecido vegetal e protegê-las de toxinas liberadas pela planta ou por agentes externos.

O seqüenciamento do genoma da X. fastidiosa permitiu a identificação de 12 genes que possivelmente provocam a 'praga do amarelinho'. Alguns deles são vinculados a funções regulatórias da produção da goma e de enzimas que degradam a parede celular dos tecidos vegetais e permitem a propagação da bactéria entre os vasos do xilema. Outros genes codificam proteínas envolvidas no metabolismo do ferro e na síntese de toxinas e enzimas. De acordo com alguns cientistas, a X. fastidiosa retira o mineral da planta, o que causaria a clorose (amarelamento das folhas). A bactéria também afeta o desenvolvimento do fruto -- que nasce pequeno e duro.

O biólogo francês Patrice Gaurivaud, sob orientação da também bióloga Patrícia Brant Monteiro, alterou esses genes com o objetivo de torná-los inativos e os inseriu em células da X. fastidiosa, criando bactérias mutantes. "Cada célula tem um único gene alterado para avaliação", explica Monteiro.

A praga do amarelinho é transmitida por um inseto conhecido como 'cigarrinha'


Os pesquisadores iniciaram agora uma nova etapa do estudo. "Vamos analisar o metabolismo das bactérias mutantes e introduzi-las em mudas de plantas, o que pode nos ajudar a entender como a X. fastidiosa causa o amarelinho", diz a bióloga. "É preciso comprovar se os genes modificados perderam sua função original." Caso o resultado seja positivo, eles irão inocular mudas de plantas com bactérias mutantes e não mutantes em salas de cultura apropriadas para observar se haverá competição entre elas, o que pode oferecer pistas para o controle da doença.

As bactérias mutantes podem ser uma opção de combate biológico à praga do amarelinho. Atualmente, não há drogas para exterminá-la. A doença somente pode ser controlada por meio de podas dos tecidos contaminados, do uso de inseticidas contra as cigarrinhas (insetos transmissores da praga) e da troca de mudas doentes por sadias.

Paula Americano
Ciência Hoje on-line
06/03/02

 

 
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