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 NOTÍCIAS :: GENÉTICA

Grupos de pesquisa buscam melhoramento genético de eucalipto
Projetos para seqüenciar DNA da árvore compartilham objetivos, mas não resultados

Foi lançado em 20 de fevereiro, em Brasília, o projeto Genolyptus, coordenado pelo Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), que pretende aumentar a produtividade da indústria brasileira de papel e celulose. O Genolyptus foi anunciado na mesma semana em que outro projeto, o Forests -- parceria entre empresas, universidades paulistas e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) --, divulgava a conclusão do seqüenciamento de 110 mil fragmentos do genoma do eucalipto. Apesar de terem objetivos similares, os dois projetos vão atuar separados, pelo menos por enquanto.

O plantio de eucalipto no Brasil ocupa 3 milhões de hectares e gera 6,3 milhões de toneladas/ano de celulose (fotos: Eduardo Campinhos / International Paper do Brasil)

O objetivo comum a Genolyptus e Forests é o melhoramento genético do eucalipto, principal árvore empregada para a produção da celulose, matéria-prima do papel. Os dois projetos pretendem tornar a árvore mais resistente à seca, ao frio e a doenças, e aumentar a qualidade da madeira a partir, por exemplo, da definição da proporção ideal de lignina (substância que sustenta o eucalipto, mas é descartada para a produção de papel). A metodologia de ambos, no entanto, é diferente.

O Forests trabalha com duas etapas: na primeira, é feito o seqüenciamento do genoma expresso do eucalipto, ou seja, dos trechos de seu DNA que comandam a produção de proteínas; na segunda, os cientistas tentam correlacionar os genes seqüenciados às funções da planta. A Fapesp investiu 530 mil dólares na primeira fase, e as quatro empresas participantes (Votorantim, Suzano, Duratex e Ripasa), cerca de 250 mil. Os dados resultantes da pesquisa serão compartilhados pelas empresas.

O Genolyptus -- do qual participam sete universidades, 12 empresas e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) -- tem abordagem diferente. Em uma rede experimental que vai do Pará ao Rio Grande do Sul, serão observadas e cruzadas árvores com diferentes características. Com o uso de mapeamento genético, seqüenciamento de DNA e mapeamento físico do genoma do eucalipto, serão identificadas as regiões do genoma que controlam funções ligadas principalmente a qualidade da madeira e resistência a doenças. O projeto, financiado pelo Fundo Verde-Amarelo, do MCT, é orçado em 12 milhões de reais.

A indústria de papel e celulose representa 4% do PIB e 8% das exportações do Brasil e gera 150 mil empregos (fonte: MCT)

Em um primeiro momento, os coordenadores dos projetos não descartam a possibilidade de união: "pode vir a acontecer", diz Helaine Carrer, do Forests; "estamos de portas abertas", afirma Dario Grattapaglia, do Genolyptus. A boa vontade esbarra nos interesses das empresas envolvidas. Para Raul Chaves, representante da Duratex (que só participa do Forests), tudo depende do que for oferecido. "O intercâmbio de informações teria que ser negociado."

Grattapaglia, no entanto, acha que "esse intercâmbio só será interessante se os projetos tiverem mais a oferecer além de seqüências de DNA." Segundo ele, o seqüenciamento em si é apenas um componente. "Essencial é fazer sentido do que foi seqüenciado, o que só é possível com investimento em experimentação de campo e integração de conhecimentos."

Tiago Lethbridge
Ciência Hoje on-line
26/03/02

 

 
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