começou em outubro de 1999 e levou 15 meses para ser concluído, enquanto o seqüenciamento da X. campestris, iniciado em janeiro de 2001, demorou apenas seis meses.
A X. citri ataca pomares de laranja e provoca o cancro cítrico, doença caracterizada por lesões parecidas com feridas em folhas, frutos e ramos que gera inúmeros prejuízos para a citricultura. Já a X. campestris causa doenças em hortaliças. "Essas duas bactérias não atacam as mesmas espécies vegetais e provocam doenças distintas", conta Rasera. "No entanto, apenas 15% dos genes desses microrganismos são diferentes." Os outros 85% são iguais até na ordem em que aparecem no genoma das duas espécies.
Foram identificados 4131 genes da X. citri e 4182 da X. campestris. Pouco mais de 60% desses genes já tiveram suas funções determinadas. "Nosso artigo apresenta algumas hipóteses sobre quais genes seriam responsáveis pelos mecanismos das diferentes doenças provocadas pelas bactérias", afirma o pesquisador da Unesp Jesus Ferro, segundo autor do trabalho. "Algumas dessas hipóteses já estão sendo testadas em laboratórios da Onsa."
Segundo os pesquisadores, a comparação entre os genomas das duas bactérias permite compreender melhor a biologia dos microrganismos, o que a médio prazo facilitaria o controle das doenças que eles provocam. Além disso, o seqüenciamento desses dois fitopatógenos pode ajudar a desvendar os mecanismos de ação de outras bactérias do gênero Xanthomonas que atacam vegetais de grande importância comercial no mundo, como algodão, arroz e feijão.
Fernanda Marques
Ciência Hoje on-line
23/05/02