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 NOTÍCIAS :: GENÉTICA

Genômica brasileira volta às páginas da Nature
Estudo paulista seqüencia e compara genoma de duas bactérias fitopatógenas

Mais uma vez, a genômica brasileira ganha lugar de destaque no cenário internacional. A edição de 23 de maio da revista britânica Nature, uma das mais renomadas publicações cientificas do mundo, traz um artigo assinado por 65 brasileiros que relata o seqüenciamento de dois agentes causadores de doenças em plantas (fitopatógenos): as bactérias Xanthomonas axonopodis p.v. citri e Xanthomonas campestris p.v. campestris. O estudo, que apresenta e compara os dois genomas, foi financiado pela Fapesp, Fundecitrus e CNPq e custou cerca de cinco milhões de dólares.

Foi seqüenciado o genoma da bactéria Xanthomonas citri, causadora do cancro cítrico, que provoca lesões em frutos e folhas. Fotos: Fundecitrus (esq.) e Iapar (dir.)

O trabalho foi realizado por 14 laboratórios paulistas: oito da Universidade de São Paulo (USP), quatro da Universidade Estadual Paulista (Unesp), um da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e um do Centro de Citricultura Sylvio Moreira. Todos fazem parte da Organização para Seqüenciamento e Análise de Nucleotídeos (Onsa, na sigla em inglês), rede que em 2000 determinou pela primeira vez o código genético de um fitopatógeno, a bactéria Xylella fastidiosa.

"O genoma da X. citri e o da X. campestris têm quase o dobro do tamanho do da Xylella", conta a pesquisadora da USP Ana Claudia Rasera, primeira autora do novo trabalho. O mapeamento do código genético da X. citri começou em outubro de 1999 e levou 15 meses para ser concluído, enquanto o seqüenciamento da X. campestris, iniciado em janeiro de 2001, demorou apenas seis meses.

A X. citri ataca pomares de laranja e provoca o cancro cítrico, doença caracterizada por lesões parecidas com feridas em folhas, frutos e ramos que gera inúmeros prejuízos para a citricultura. Já a X. campestris causa doenças em hortaliças. "Essas duas bactérias não atacam as mesmas espécies vegetais e provocam doenças distintas", conta Rasera. "No entanto, apenas 15% dos genes desses microrganismos são diferentes." Os outros 85% são iguais até na ordem em que aparecem no genoma das duas espécies.

Foram identificados 4131 genes da X. citri e 4182 da X. campestris. Pouco mais de 60% desses genes já tiveram suas funções determinadas. "Nosso artigo apresenta algumas hipóteses sobre quais genes seriam responsáveis pelos mecanismos das diferentes doenças provocadas pelas bactérias", afirma o pesquisador da Unesp Jesus Ferro, segundo autor do trabalho. "Algumas dessas hipóteses já estão sendo testadas em laboratórios da Onsa."

Segundo os pesquisadores, a comparação entre os genomas das duas bactérias permite compreender melhor a biologia dos microrganismos, o que a médio prazo facilitaria o controle das doenças que eles provocam. Além disso, o seqüenciamento desses dois fitopatógenos pode ajudar a desvendar os mecanismos de ação de outras bactérias do gênero Xanthomonas que atacam vegetais de grande importância comercial no mundo, como algodão, arroz e feijão.

Fernanda Marques
Ciência Hoje on-line
23/05/02

 

 
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